aqui no aqui tem coisa encontram-se
coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

Resultado da busca

eduardo longo no tendal da lapa

banner eduardo longo
O que você faz com o seu lixo reciclável? Quantas pessoas cabem em um ônibus? Qual é o cômodo mais importante de uma casa? 

Questões como estas serão debatidas na Oficina “Viver o Espaço com Eduardo Longo”, que a Fundação Stickel, em parceria com o Espaço Cultural Tendal da Lapa, oferece à comunidade a partir de agosto. Ministrada pelo visionário arquiteto Eduardo Longo, que nos anos 70 colocou abaixo sua casa e a transformou, literalmente, em uma bola, a oficina apresenta conceitos básicos da arquitetura, soluções criativas para o aproveitamento do espaço e confecção de maquetes e desenhos com material reciclável. 

Os encontros são destinados às pessoas que tenham disponibilidade de horário aos sábados, das 10h às 12h. A oficina ocorrerá no Tendal da Lapa, de 23 de agosto a 29 de novembro de 2014. Estão programadas visitas a equipamentos públicos e à casa do arquiteto, custeadas integralmente pela Fundação Stickel. 

As inscrições poderão ser feitas pelo site da Fundação Stickel ou presencialmente no Tendal da Lapa (Rua Constança, 72). Para mais informações, ligue: 3862-1837 ou 3083-2811. 

O que: Oficina “Viver o Espaço com Eduardo Longo”
Quando: De 23 de agosto a 29 de novembro de 2014
Horário: Todos os sábados, das 10h às 12h (horário estendido nos dias de visita externa)
Onde: Tendal da Lapa – Rua Constança 72
Inscrições: De 21 de julho a 16 de agosto pelo site da Fundação Stickel ou no próprio Tendal

é isso, por fernando stickel [ 15:00 ]

livro eduardo longo

Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Museu da Casa Brasileira, Fundação Stickel e Paralaxe Editora, convidam para o lançamento do livro

“Sobre bolas e outros projetos – Eduardo Longo arquiteto”

Sexta-feira, 8 Novembro às 19:30
Museu da Casa Brasileira
Av. Brig. Faria Lima 2705, São Paulo

convite eduardo1
ESPAÇO

– O espaço feito pelo homem, seu conceito, qualidade, funcionalidade e beleza.
– O preço e o valor do espaço, seu design e originalidade, sua capacidade de encantar e transmitir uma mensagem.
– O espaço depurado.

O espaço essencial.

Todas estas questões que estão – deveriam estar… – presentes na vida e na obra dos arquitetos se tornam particularmente significativas para Eduardo Longo, que se dedicou à busca do mínimo espaço essencial, pesquisa que instrumentou a construção da “Casa Bola” na Rua Amauri.
Bola essa que ajudei fisicamente a construir, conhecendo e admirando durante o breve período em que lá trabalhei.

– Liberdade de quebrar paradigmas;
– Coragem de se despir do supérfluo e de se utilizar como “cobaia’ para os experimentos de espaço mínimo;
– Destreza manual, pondo diariamente em prática pequenas invenções, necessárias à consecução da “Casa Bola”, espaço em que nada é padrão e tudo tem que ser criado, portas dobradiças, encanamentos, luminárias, tudo foi reinventado.
– Alto senso estético, capacidade de surpreender.

Tenho certeza de que todo este cabedal de conhecimento do arquiteto Eduardo Longo será partilhado com sucesso nas comunidades carentes em que a Fundação Stickel atua, pois o patrocínio que esta publicação recebeu se converterá, por meio do “Projeto Contrapartida”, em uma oficina de convivência orientada pelo arquiteto. Esta oficina será destinada aos moradores do entorno das Fábricas de Cultura, programa da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo, parceira da Fundação Stickel no desenvolvimento de suas atividades.

Fernando Stickel
Diretor Presidente
Fundação Stickel

livro el
O livro ficou lindo!!
Texto de Heitor Serapião
Fotos de José Moscardi, Leonardo Finotti e Luiz Calazans
Ilustrações de Neco Stickel, Vallandro Keating, Fuller Archives e Eduardo Longo

Agradecimentos a Bruno Guedes, Eduardo Longo, Fernando Stickel, George Longo e Thiago Calazans

é isso, por fernando stickel [ 17:22 ]

eduardo longo na fábrica de cultura

três
Estes três cavalheiros estiveram hoje de manhã na Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoeirinha, para pensar em uma operação conjunta. À esquerda na foto o arquiteto Eduardo Longo, no centro eu, à direita o arquiteto e desiner gráfico Marcelo Aflalo.

Trata-se de alinhavar um novo Projeto Contrapartida para a Fundação Stickel executar com sua parceira Fábrica.

De um lado a execução do livro “Sobre bolas e outros projetos” abordando a obra do Eduardo, conhecido como o arquiteto da “Casa Bola” da R. Amauri. O livro já tem design preliminar do Marcelo / Univers Design, e projeto inscrito e aprovado na Lei Rouanet.

De outro lado a Fundação Stickel como viabilizadora inicial do projeto do livro, recebendo em contrapartida do Eduardo um curso de arquitetura/vivência de espaços a ser ministrado na Fábrica de Cultura.

livro bola
O interessante disto tudo é que o Eduardo não é um arquiteto convencional, sua trajetória para chegar à “Casa Bola” minimalista, projetada e construida por ele, e onde mora há 30 anos, envolve profunda compreensão dos usos e costumes de uma residência, revendo o conceito de moradia como espaço essencial. Esta riquíssima vivência, e todas as histórias que a acompanham, poderá ser compartilhada com os moradores da Vila Nova Cachoeirinha, assim que nosso projeto frutificar.

é isso, por fernando stickel [ 18:28 ]

eduardo longo


Neste prédio da R. Bela Cintra tive o primeiro contato com a obra do arquiteto Eduardo Longo.
Foi assim:
Eu cursava em 1968 o Cursinho Universitário, me preparando para o vestibular de arquitetura, naquela época era a FAUUSP e o Mackenzie, e precisava fazer um desenho grande.
Meu amigo Rubens Mario (já falecido) se propos a me ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta do Eduardo, eu fiquei meio constrangido, porque não conhecia o arquiteto pessoalmente, só de sua fama.
O Rubens Mario disse que não tinha problema, que o Eduardo era “gente fina” e que não iria reclamar, e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto.
Lá chegando fiquei maravilhado, era um apartamento pequeno, todo reformado, com o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro amarela parecia uma porta de submarino, achei o máximo!
Logo depois conheci-o pessoalmente, e somos amigos desde então.


O próprio Eduardo me fez a gentileza de enviar as fotos do apartamento.

é isso, por fernando stickel [ 18:24 ]

de pessoas e suas influências

Uma conjunção muito especial de fatores propiciou a sistematização destas memórias, focadas principalmente nos anos 70, um pouco antes e um pouco depois.
Em Fevereiro deste ano faleceu meu amigo Frederico Nasser, na sequência instalou-se a pandemia do coronavírus e a quarentena.
Na enorme quantidade de tempo livre resultante me voltei para arquivos fechados há muitos anos, repassei textos, documentos, atualizei este blog e registrei novas memórias. Um documento em particular atuou como poderoso catalisador de lembranças, o convite de casamento do Frederico e Marina. Foi fundamental a ajuda dos amigos para ajustar detalhes, datas, locais e nomes! Obrigado a todos!

De pessoas e suas influências

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais, e tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, à sua estrutura biológica original os aprendizados, amores, encrencas, circunstancias, os livros que leu, amizades, viagens e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos e me terás… Vou tentar explicar. Ou não. Deixemos os fatos, ou as minhas memórias, falarem por si.

No Colégio Visconde de Porto Seguro um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e sábio.

Me preparando para o vestibular de arquitetura no Cursinho Universitário em 1968, conheci mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física. Na mesma época um amigo me falou de um curso de desenho do professor Frederico Nasser, em uma casinha de vila na R. da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni.

Fui procurar o Frederico e iniciei as aulas, desenhávamos em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local Frederico me apresentou Marcel Duchamp e com isso selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo D. Rene, mãe do Dudi Maia Rosa. Não sei nem como encontrava tempo para tudo isso, pois cursava simultaneamente o terceiro colegial! Foram tempos muito ricos e intensos!

Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propos a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de seu amigo, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto no Edifício Suzana na R. Bela Cintra.
Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento, todo reformado, o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo, parecia um submarino, achei o máximo! Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente, e somos amigos desde então.

O vestibular para arquitetura no Mackenzie em 1968 foi antes da FAUUSP, e eu fiquei sabendo através do então diretor da Arquitetura do Mackenzie, o arquiteto Salvador Candia, que eu estaria na lista de espera, nas primeiras colocações. Isto significava que eu estava praticamente matriculado no Mackenzie, pois quando saia o resultado da FAUUSP, muitos aprovados no Mackenzie desistiam para se matricular na FAUUSP, abrindo lugar para a fila de espera. Simplesmente antecipei minhas férias e fui para o Guarujá!
Poucos dias antes do vestibular da FAUUSP voltei para São Paulo, dei uma passada no Cursinho Universitário, cumprimentei os amigos, preparei meus materiais e fui para o vestibular absolutamente tranquilo! O resultado de tanta cuca fresca é que entrei na FAUUSP no 19º lugar!

Com meu colega Edo Rocha fomos para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador capotamos o meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas isto é outra história…

Em 1969 Frederico mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na R. Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém ingressados na FAUUSP também tinham aulas lá, Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Edo Rocha, Leslie M. Gattegno (já falecido), Claudio Furtado… Enquanto desenhávamos nu feminino dentro da casa, Frederico pintava coisas esquisitas no pátio externo da casa… No segundo semestre de 1969 Frederico organizou uma visita de seus alunos ao estúdio do mestre Wesley Duke Lee em Santo Amaro, em um domingo de manhã. Entrar naquele estúdio já era um privilégio, fiquei totalmente fascinado! Wesley com sua cultura e charme inigualáveis, falou sobre muitas coisas, mas sobretudo sobre tecnologia e da chegada do homem à Lua recém ocorrida no dia 20 de Julho. Inesquecível!

Um belo dia, em 1969, a informação correu como fogo em rastilho de pólvora: Chegou Liquitex na Casa do Artista!

E houve o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do Tio Bubi e da Tia Lila, promovido pelo João e Marília Vogt. O espírito da coisa era EU VOU!!!! Todos os amigos iam, ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir! (os anfitriões não gostaram muito… no final deu tudo certo) Foram dias fantásticos, mais de 30 pessoas, amigos, parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Todo mundo soltando pipa nas dunas, inesquecível!
Entre outros minha memória acusa:
Os anfitriões Bubi e Lila, os co-anfitriões João e Marilia, Baravelli e Sakae, Zé Resende e Sophia, Fajardo e Renata, Frederico Nasser, Ricardo Alves Lima, Dudi, Gilda, Monica, Alice e eu.

No espaço da Escola Brasil: rolou uma interessantíssima aula de Tai Chi Chuan com Carlos Carvalho, na fazenda da Lucila Assumpção um fim de semana delicioso e na casa do Tremembé do Zé Resende conheci o ceramista Megumi Yuasa, em uma exposição de ceramica organizada por Frederico Nasser em Dezembro 1971, assim como as esculturas do Zé instaladas ao ar livre.

Em um salão em cima da garagem, na edícula de uma grande casa imersa nas árvores da R. Atlantica, Carlos Fajardo me apresentou Bob Dylan. Na Vila Nova Conceição no estúdio de portão verde do meu amigo Cassio Michalany rolavam intermináveis sessões de jazz, whisky e arte!

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares que sempre foram fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, limpos, amplos, organizados. Havia de tudo lá, até um pote com unhas cortadas… foram vários:
– Av. Miruna, 1967 a 1971
– R. Padre João Manoel, esquina da Oscar Freire, 1971 a 1974 (neste espaço surgiu a primeira Galeria Luisa Strina)
– R. Pedroso Alvarenga, 1974 a 1979
– R. João Cachoeira, 1980 a 1984
– Granja Viana, 1984 até hoje
Pelo menos duas galerias saíram das suas hábeis mãos, Galeria Luisa Strina e Galeria São Paulo na R. Estados Unidos, da Regina Boni.
O mesmo fascínio e curiosidade acontecia também no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona, onde ele também dava aulas.

Em Janeiro de 1970 Dudi Maia Rosa, Frederico Nasser, Augusto Livio Malzoni, e eu partilhamos um gigantesco quarto no Wellington Hotel da 7ª Avenida em New York, para um mês de imersão no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no Automat Horn & Hardardt da Rua 57… e visita à inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970” no Metropolitan Museum of Art, inaugurando sob curadoria de Henry Geldzahler o Departamento de Arte Contemporânea do Museu. Baby Maia Rosa, que aparece na foto, estava em outro endereço.

Na sequência do estúdio na R. Pedroso Alvarenga, Frederico Nasser com seus amigos e colegas artistas plásticos Luis Paulo Baravelli, Carlos Fajardo, e José Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil: na Av. Rouxinol 51 em Moema. Eu fui aluno em 1970, no ano da abertura daquela que ficou conhecida como Escola Brasil:

No segundo semestre de 1970, Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende realizaram a poderosa exposição BFNR 1970 no MAM Rio de Janeiro em Agosto e no MACUSP em Setembro. Eu estou em uma foto na capa do catálogo do Frederico, e fiz alguns retratos do artista. Fui ao Rio para a inauguração, me hospedei “comme il faut” no apartamento da Vovó Zaíra de frente para o mar no Posto 6 em Copacabana, foram dias deliciosos com direito a um jantar no Antonio’s…

Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente e carismática, um poderoso magneto que despertava conhecimento e provocava sede de saber, e de quebra atraía muitas pessoas, que se conheceram e formaram um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou outra gravitavam em torno da Escola. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, Baby Maia Rosa, José Carlos BOI Cezar Ferreira (1944-2018), Leila Ferraz, Wesley Duke Lee (1931-2010), Maciej Babinski, Guto Lacaz, Arnaldo Pappalardo, Santuza Andrade, Megumi Yuasa, e muitos outros foram fruto desta amizade.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil, e convidei o Frederico para ser meu padrinho. Durante alguns anos Frederico frequentou assiduamente meu apartamento na R. Hans Nobiling, éramos amigos íntimos, Frederico aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim… No apartamento de cima havia sempre festas, e acabamos descobrindo que lá morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei para um apartamento na R. Tucumã 141 e comecei a namorar a Iris Di Ciommo, por volta de 1974.

No enorme apartamento na Av. Angélica, de frente para a Pça. Buenos Aires, onde morava com os pais Lamartine e Rene, Dudi Maia Rosa montou um pequeno atelier de gravura, e foi lá que ele me ensinou a fazer a primeira e única gravura da minha carreira em 10 Agosto 1972… Obrigado Dudera! Neste mesmo ano Dudi e Gilda se casaram em uma linda festa na casa do João e Marília em Osasco.
Muitos anos depois, já nos 2000, Dudi foi a mola propulsora para eu criar este blog, mas esta é outra história….

A Galeria Luisa Strina inaugurada em 1974 tinha seu acesso pela R. Padre João Manoel por uma escada que levava à sobreloja. Passava-se por um pequeno espaço administrativo e chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira, logo à esquerda o “escritório” da Luisa era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras. Sentada em seu canto Luisa recebia clientes, amigos, colecionadores, xeretas e desocupados que lá ficavam visitando, papeando, e, naturalmente, comprando! Lá encontrei inúmeras vezes o meu contraparente Pituca Roviralta, já falecido, um dos primeiros compradores do meu treabalho…

Xico Leão era um dos alunos da Escola, um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso, e além de tudo um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem, bonita e delicada caiu nas graças do Prof. Nasser. O namoro evoluiu e chegou o casamento, o Frederico me convidou para ser seu padrinho, Iris e eu nos preparamos e na quarta-feira 8 de Dezembro 1976 embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá na R. Bolivia às 20:30h
O casamento se deu em altíssimo astral, me diverti muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas encontrei D. Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, me apresentei e disse a ela:
-D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!! Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…
Iris e eu fomos os últimos a sair da festa, voltamos alegremente para casa na alta madrugada, eu pilotando a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me que no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar bêbado.

Em 1977 nasceu minha filha Fernanda, seu padrinho foi Cassio Michalany, ele deu de presente para ela uma tela de 15 x 15 cm. Um ladrilho tecido e pintado a mão, em cada aniversário ela ganhou mais um… Em 1979 nasceu o meu filho Antonio, e convidei o Frederico para ser seu padrinho (ausente, diga-se…)

Na segunda metade dos anos 70 Frederico Nasser planejava abrir uma livraria. Em uma conversa no Guarujá com Dudi Maia Rosa, Claudinho Fernandes, que também queria abrir uma livraria ficou sabendo dos planos do Frederico, e acabaram se compondo, abrindo em 1978 como sócios a Livraria Horizonte na R. Jesuino Arruda 806, quase esquina da R. João Cachoeira.
O imóvel selecionado abrigava originalmente um açougue, e o Baravelli, homem dos sete instrumentos, o transformou em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista, que acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, era uma farra, uma enorme mesa central e poltronas confortáveis completavam o ambiente acolhedor. No andar de cima Frederico tocava sua editora Ex Libris. Naquela época eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico “und” e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.

Plinio e Virginia casaram-se em 1978.

Na sequência Frederico e Claudinho desmancharam a sociedade e o Frederico montou em 1980, também com projeto do Baravelli, uma nova livraria, a poucas dezenas de metros, na R. João Cachoeira 267. A execução da obra a cargo do faz tudo Roberto (o chão era de tijolo aparente, cortado a 45 graus) com dois mezaninos e janelas abertas ilegalmente para a lateral do prédio.
A Livraria Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley Duke Lee, o estúdio do artista plástico Luis Paulo Baravelli na sobreloja, e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados na edícula.
Algum tempo depois a Livraria Universo fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas e se especializando em livros raros. Lá Frederico continuava a operar a Editora Ex Libris/Edições Universo, lançando em 1987 o notável livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo…” fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.

Em seu novo estúdio inaugurado em 1980 na R. João Cachoeira, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam ao direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA. Neste espaço certo dia Baravelli confidenciou aos amigos:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
E a opção foi fazer a revista Arte em São Paulo! Muito pragmaticamente, Baravelli fez a lista dos itens necessários, e comprou-os:
– Impressora
– Prensa de hot stamping para as capas
– Encadernadora espiral
– Estoque de papel para impressão
– Estoque de cartão para as capas
Finalmente contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes jornalistas, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981, com um texto meu sobre Cassio Michalany, e o último em 1985.

Entrando nos anos 80 minha vida virou de ponta cabeça… tomei a decisão de ser artista plástico profissional, saí do escritório de design gráfico “und” que havia criado com o Lelé Chamma, separei da Iris, mudei para o apartamento da R. Pinheiros, foi um caos!
A estas alturas o encanto dos anos 70 criativos e loucos estava se quebrando, os contatos entre aquela grande turma de amigos foram se espaçando, as amizades se esgarçando, cada um cuidando de sua vida, os filhos crescendo, e o Frederico iniciou um processo misterioso de se fechar para o mundo. Pouco a pouco foi evitando o contato social com amigos, família e foi se isolando. Não respondia telefonemas, ninguém entendia o que estava acontecendo.

Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim na véspera do Natal vi o Frederico andando a pé na calçada oposta, parei o carro e me dirigi a ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico simplesmente me ignorou e passou reto… eu fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar, totalmente alheio à minha presença… Que Frederico Nasser era aquele?!!

Seu coração falhou definitivamente no início de 2020 aos 75 anos de idade. Foi muito triste e difícil aceitar a perda de um amigo, o luto e a tristeza que senti em 2020 já havia sentido e trabalhado durante quase 40 anos…

Fernando Stickel
9 Julho 2020

Agradecimentos:
Sandra Pierzchalski
Plinio de Toledo Piza Filho
Claudio Furtado
Iris Di Ciommo
Claudio Fernandes
Mauro Lopes
Monica Vogt Marques
Luis Paulo Baravelli
Cassio Michalany
José Resende

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]

cidade matarazzo

mat33
Grupo de alunos da oficina “Viver o Espaço com Eduardo Longo” promovida pela Fundação Stickel visita a Cidade Matarazzo, e acompanha a palestra do restaurador Pedro Vieira, com papéis na mão.

mat1
Depois de 20 anos abandonado, o hospital transformou-se na Cidade Matarazzo pelas mãos do grupo francês Allard, que como primeira ação de revitalização criou a exposição Made by… Feito por Brasileiros, em cartaz de 9 Setembro a 12 Outubro.

mat4
Trabalho de Rochelle Costi

mat2
Parte da instalação de Tunga, a menina pegou carona na arte…

mat5
Trabalho de Sofia Borges.

é isso, por fernando stickel [ 18:00 ]

automobilismo e arquitetura

osveio.jpg
Na foto, da esq para a direita, eu, Anisio Campos, Eduardo Longo e Lian Duarte.

A arquitetura, design, arte e automobilismo sempre se cruzam quando o assunto é Anisio Campos.
No final das contas estamos sempre falando sobre e louvando o BOM DESENHO.
Na Pizzaria Cristal, em São Paulo, Anisio expõe suas aquarelas, retratando carrocerias fantásticas dos anos trinta, como por exemplo o Talbot Lago de Figoni Falaschi de 1938, no estilo “Teardrop”

é isso, por fernando stickel [ 9:10 ]

motoring arts


Anisio Campos e 20 artistas participantes convidam para a exposição

MOTORING ARTS

10 a 19 Outubro 2006 12:00 às 22:00h
Espaço CasaBola Eduardo Longo
R. Amauri 352 São Paulo

ANTONIO PETICOV • CACIPORÉ TORRES • CLAUDIO TOZZI • CLEBER MACHADO • FERNANDO STICKEL • GILBERTO SALVADOR • GUILHERME DE FARIA • GUSTAVO ROSA • GUTO LACAZ • IVALD GRANATO • JEJO CORNELSEN • JOSÉ RESENDE • JOSÉ ROBERTO AGUILAR • MARCELO CIPIS • MARCELO NITSCHE • MARCELO SERPA • NEWTON MESQUITA • RAMANEFER • RUBENS GERCHMAN • TOMOSHIGUE KUSUNO

Com patrocínio do Santander Banespa e apoio da Fundação Stickel, 20 artistas brasileiros radicados em São Paulo e o designer Anisio Campos homenageiam nesta exposição os 40 anos do recorde do Carcará.
O bólido recordista brasileiro marcou a velocidade de 212,903 Km/h, pilotado por Norman Casari, na BR 101 em Jacarepaguá RJ, em 1966.
Seu recorde ainda não foi superado na classe motor 1 litro.
Estará exposta a recriação do Carcará original, com motor DKW-Vemag três cilindros, dois tempos e 1 litro, feito à mão pelo artesão Toni Bianco.
O Carcará II é a única peça recriada no acervo da Associação Cultural do Museu do Automobilismo Brasileiro, presidido por Paulo Trevisan em Passo Fundo, RS.
O Motoring Arts dispõe de Edição Limitada de 40 miniaturas do Carcará, em escala 1:43. As peças fabricadas pela Casa Automodelli são numeradas e autenticadas.

Patrocínio: Santander Banespa – Inovando para você crescer

Apoio: Fundação Stickel

é isso, por fernando stickel [ 10:58 ]

carcará


Anisio Campos em frente à CasaBola do Eduardo Longo na Rua Amauri 352.
Neste local estará exposto, com apoio da Fundação Stickel, a partir de terça-feira 10 Outubro, a recriação do seu projeto de 1966, o Carcará.

é isso, por fernando stickel [ 10:52 ]

andar da carruagem

O andar da carruagem…
Meu amigo Abbondio me envia esta foto, possivelmente de 1986 ou 87, tirada na casa de outro amigo, o designer Luciano Devia.
Com exceção do casal Luciano e Maga, todos os outros estão com novos parceiros.
Da esquerda para a direita, fila de cima: Eu, Ana Kawall, Magali Devia, Abbondio Barana, Anisio Campos, Nanci Valadares.
Fila de baixo: Alexandre Machado, Raquel, Renata Mellão, Luciano Devia, Eduardo Longo. A foto foi tirada provavelmente pela Iris Di Ciommo. A Raquel é a filha do Anisio e da Nanci.

é isso, por fernando stickel [ 17:25 ]

concentração de arquitetos


Ontem numa festa onde havia a maior concentração de arquitetos por metro quadrado jamais vista, e até o fotógrafo era da ASBEA, encontrei meu amigo Eduardo Longo. Comentei com ele que mostro sempre para meus alunos um pedaço da construção da primeira Casa-Bola na Rua Amauri, que eu mesmo serrei quando o ajudei, por alguns dias, a construir a Casa Bola, lá nos idos de 1974. Ele adorou a história e pediu para que eu contasse aqui. Voilá.

é isso, por fernando stickel [ 14:59 ]