aqui no aqui tem coisa encontram-se
coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

Nesta esquina triangular da Av. IV Centenário com R. Afonso Braz agonizou durante décadas uma casa abandonada.
Alguns anos atrás iniciaram-se obras de reforma, da pior forma possível, sem projeto, sem tapume, sem capricho, sem limpeza.
A coisa se arrastou por muito tempo, vãos de portas e janelas foram abertos e fechados dezenas de vezes, óbviamente pela falta de um projeto. Arquitetura feita na base da picareta e da martelada, tentativa e erro…
Finalmente abriram lá um restaurante, que não durou mais que um ano. E lá está o imóvel fechado…

Muito dinheiro gasto, muito tempo de obra, a quem interessa tanto prejuízo, talvez alguém que precise lavar dinheiro, né não?

Neste endereço no 591 da R. Diogo Jácome já existiram “N” restaurantes, todos de arquitetura duvidável e vida curta.
Cores muito fortes na fachada, combinações exóticas de menus divulgados em cartazes na porta, e, compreensívelmente, pouca gente lá dentro.
Este se anuncia como “Gastronomia e Confeitaria Afetiva”
Algum tempo atrás um deles fez um toldo tão vagabundo que na primeira chuva a coisa desabou…

Parece que nestes endereços tem caveira de burro enterrada.

é isso, por fernando stickel [ 9:52 ]

Na esquina da R. Afonso Braz com Diogo Jácome, na Vila Nova Conceição, havia um tradicional bar da esquina, sempre cheio, com mesinhas na calçada. Aos sábados enchia de atletas, passeadores, gente bonita e saudável, tomando um lanche, suco ou uma cerveja, durante a semana trabalhadores de todos os tipos traçando um PF.

Há cerca de um ano ou ano e meio foi fechado e demolido, eu não entendi…
Ficou um tempão fechado e mais recentemente iniciou-se uma obra esquisita, daquelas que aparenta não ter projeto, propósito, nem cronograma.

Esta esquina faz parte do meu roteiro diário, seja a pé ou de carro, e flagrei uma coluna evidentemente fora do prumo, e muito delgada para segurar sua carga, parece que o último andar será um “rooftop”… Desastre anunciado? Implicância de um chato? Pode ser, mas conheço um pouco de obra, estrutura, etc… e o bom senso me alertou.

Existem por aqui no bairro outros fenômenos similares, pontos excelentes com obras mal feitas e incompreensíveis, parece ser lavagem de dinheiro… Normalmente os bares/restaurantes que surgem nestes pontos esquisitos não decolam, estão sempre vazios.

Todas as vezes que passei a pé pela obra tentei encontrar um mestre de obras, alguém para comentar sobre a coluna, mas a obra parece blindada, sempre fechada.

Ao longo dos meses alguns enchimentos (sem ferro) foram adicionados, solução estética? Me parece evidente que a estrutura desta trapizonga está subdimensionada.

Fui verificar o site constante da placa, mclregularizacoes.com.br que revelou-se inexistente… curioso… Pesquisei também o número do CREA do engenheiro Marcelo Alves Sobrinho, também inexistente… mais curioso ainda… O número do ART confere no site do CREA, para reforma sem acréscimo de área, mas o registro do CREA do engenheiro é outro… curiosíssimo!!!

é isso, por fernando stickel [ 7:14 ]

Hoje, 31 janeiro 2026 este blog completa inacreditáveis 23 anos de contínua existência!
A data será comemorada com o breve lançamento de uma nova versão do blog, mais interativa e com vários novos departamentos. Aguardem e continuem a visitar!

Divirtam-se acompanhando os aniversários anteriores AQUI

Já passei esta data de aniversário tomando bons vinhos, viajando, abstêmio, me dedicando à contenção em algumas versões do Dry January, e este ano estou novamente abstêmio e um pouco mais radical, incluí a retirada dos doces da minha dieta, meu objetivo é perder peso e baixar minha glicemia para 99, por ordens médicas, e decidi fechar a boca até atingir meu objetivo, perder 4 a 5 kg. De 92 kg para 88 kg deverá resolver.

O Fernando Bueno, lá de Montreal no Canadá a -21 graus C é quem está engenheirando as mudanças. Estou curtindo muito a expectativa de que tudo funcione e em breve possa girar em definitivo a chave e curtir a nova versão do aqui tem coisa

Veja AQUI o passar dos anos e como foi a evolução do blog.

é isso, por fernando stickel [ 2:53 ]

Conta vermelha no post-it. É só isso.

é isso, por fernando stickel [ 18:16 ]

Fiz três livros sobre automóveis, o mais antigo “Clássicos” em 2020, depois “Sandra & Máquinas” de 2023, e finalmente o “JC’s Classics Garage” do final de 2025.

é isso, por fernando stickel [ 12:40 ]

“UMA VIAGEM DE 450 ANOS”

Exposição comemorativa do aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, com curadoria de Radha Abramo e colaboração da AICA – Associação Internacional dos Críticos de Arte, da ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, e da APAP – Associação Profissional dos Artistas Plásticos de São Paulo.

As obras participantes da exposição foram confeccionadas a partir do mesmo suporte, malas baratas de chapa de madeira, no qual os artistas trabalharam as mais diversas técnicas. A mala representa a quantidade de migrantes que participaram na construção da cidade tal qual é hoje. As obras serão montadas em uma grande instalação e há uma trilha sonora alusiva à cidade de São Paulo.
SESC Pompéia de 20/01 a 14/03/04 Terça sábado, das 9h às 20h30/ domingo e feriado, das 9h às 19h30.


A mala fechada


A mala aberta


As ferramentas e as peças desmontadas

Terminei o trabalho da mala para o SP 450. Raríssimas vezes um trabalho meu teve começo meio e fim tão rápido, tão redondo e com resultado tão bom. Tive clareza desde o primeiro minuto do partido do trabalho, desmontar a mala e reconstruí-la. Os acidentes de percurso, que sempre acontecem, foram para o bem, e o trabalho acabou super bem. Fico contente porque é uma maneira auspiciosa de iniciar o ano.

A maioria dos artistas simplesmente abriu a mala e colocou algo lá dentro, sendo as fotos e os espelhos os recheios favoritos, ou então fechou a mala e pintou algo nela.
Sendo absolutamente imparcial, posso dizer que cerca de 10 trabalhos são interessantes, e entre eles está o meu, o único pendurado na parede.
È curiosa ainda a discrepância entre o edital, que impunha a única limitação aos trabalhos, cujo peso não deveria ser superior a 5 kg, e a realidade de dezenas de trabalhos expostos com peso flagrantemente superior ao limite. Então, fica a pergunta aos organizadores:
-Para que se dar ao trabalho de elaborar um edital que destina-se a não ser respeitado?

Entre outros, participaram da exposição os artistas:

Amélia Toledo
Antônio Peticov
Caciporé Torres
Cássio Vasconcelos
Cláudio Tozzi
Cléber Machado
Domício Machado
Fernando Durão
Fernando Stickel
Gregório Gruber
Hudinilson Jr.
Iatã Canabrava
José Roberto Aguilar
Lúcia Py
Margot Delgado
Maria Bonomi
Maria Villares
Odette Eid
Percival Tirapelli
Regina Rennó
Rodolpho Parigi
Rubens Gerchman
Sandra Tucci
Vera Sabino

é isso, por fernando stickel [ 15:46 ]


Imagem ChatGPT

Me dei conta que sou apaixonado hoje, pela Mercedes-Benz 560 SEL 1989, como fui apaixonado pelo Dodge 1946 “Fluid-Drive”que herdei do meu avô Arthur Stickel.
Ambos são carros confortabilíssimos, o Dodge tinha bancos inteiriços, praticamente eram camas, ou sofás… e não tinha ar-condicionado.
A “baleia” apelido da Mercedes incorpora inúmeras modernidades, por ser 43 anos mais jovem, mas mantém a mesma pose de carro grande e confortável do Dodge.
Ambos deliciosos de guiar!

é isso, por fernando stickel [ 16:49 ]


Foto da conta Instagram @cedomguaruja

Na Guarujá da minha adolescência, nos anos 1960, chegava-se à cidade pela Av. Puglisi, ao chegar à praia, na Praça dos Expedicionários, virava-se à direita, rumo à Praia das Astúrias, onde ficava nossa casa.
Nesta esquina ficava a casa da família Kalil, indicada na SETA VERMELHA, que comecei a frequentar quando comecei a namorar a Alice na segunda metade dos anos 60.
Anos mais tarde, meu irmão Roberto comprou um apartamento no Edifício Pajah, talvez o prédio mais privilegiado do Guarujá, indicado na SETA VERDE, onde foi vizinho do meu amigo Eduardo Longo, em seu apartamento com painéis de John Graz.


Edifício Pajah


A Praça dos Expedicionários, ao fundo o Morro do Maluf. Na seta vermelha a casa da família Kalil. Arquivo @cedomguaruja

é isso, por fernando stickel [ 8:25 ]

Adeus a Brigitte Bardot.
a deusa brigitte bardot
Ela se foi aos 91 anos de idade. Que faça uma linda viagem, sempre de camisetinhas listradas sob o sol de alguma praia linda.

é isso, por fernando stickel [ 8:57 ]

Em 2002 recebi pelo correio o Projeto Inserções da artista plástica Sandra Cinto, propondo: “Faça um desenho e envie para alguém” Adorei, sempre gostei muito de arte postal!

O que é o Projeto Inserções?
O Inserções foi um programa curatorial experimental (anos 2000) que convidava artistas a criar ações simples, replicáveis e abertas, muitas vezes sem objeto final fixo, enfatizando:
-Processo em vez de resultado
-Circulação em vez de exposição
-Participação em vez de contemplação
Nesse contexto, a obra de Sandra Cinto funciona mais como instrução poética do que como objeto artístico tradicional.

Levei a sugestão ao pé da letra, fiz 10 desenhos pequenos e enviei para 10 amigos. O retorno foi zero, ninguém agradeceu, ninguém comentou, ninguém contestou.

é isso, por fernando stickel [ 10:40 ]

Gostamos de acreditar em mandingas, mas o universo é só matemática e probabilidades.

é isso, por fernando stickel [ 12:12 ]


A pintura realizada na Aché

Eu conheci o dono da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A, Victor Siaulys (1936-2009), em um evento do Terceiro Setor.
Ele foi o criador, junto com a esposa Mara, da entidade filantrópica Laramara em homenagem à filha Lara, que nasceu cega. Criou também, em 1991 a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (hoje Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) de apoio a inclusão educacional e social da pessoa com deficiência visual.

No ano de 2001, após uma conversa com Victor, elaboramos uma ideia que frutificou em um trabalho interessante para a Aché, em sua sede em Guarulhos.

Durante a “Semana do Livro 2001”, realizada de 25 a 29/9/2001, no saguão térreo do prédio de escritórios da Aché em Guarulhos, eu pintei uma tela de 1,6 x 3,2m, perante os funcionários da Aché, conversando e interagindo com eles e respondendo perguntas, enquanto trabalhava.

Levei meus materiais e a tela, e montei um pequeno estúdio, à vista de todos, foi muito interessante!


Iniciando os trabalhos


Conversando com os funcionários Aché


Retoques finais


Hoje a pintura está na coleção do meu amigo Pierre Plas, no Château Du Plas, em São Roque SP

é isso, por fernando stickel [ 20:21 ]


Na parede de tijolinhos o Restaurante La Tartine

Amor aos Pedaços ou O Tarado de Itanhaém

(Porquê ressuscitei este texto de 22 anos atrás: Conheci recentemente Itanhaém, e fiquei impressionado com a pobreza e a carência da cidade…)

Sandra e eu fomos ao teatro assistir a comédia “Vestir o pai”, de Mário Viana, com Karin Rodrigues, dirigida por Paulo Autran. Hilária, excelente!
Após o teatro fomos jantar no bistrô La Tartine, vizinho do restaurante Mestiço, muito gostoso simpático e barato, sempre com lugares disponíveis, ao contrário do Mestiço, sempre lotado. Nas mesas ao lado desenrolam-se cenas fascinantes, nos esforçamos para escutar sem dar bandeira, Sandra com seu ouvido de tísica é especialista na espionagem.

Ele: Alto, forte, ombros largos, por volta dos 45 anos, grisalho nas têmporas, cara de serial killer, médico legista contratado por concurso pela Prefeitura de Itanhaém, SP, prolixo, encantado com sua própria voz, alta e pausada, veste jeans, tênis e camisa cinza escuro e discorre sobre o milhão de dólares necessário para montar uma franquia McDonalds ou os R$ 200.000 para montar uma Amor aos Pedaços.
Ela: Mignon, gostosinha, parda, vulgar, sorriso semi-cretino nos lábios, bibliotecária do interior, parece ser excelente ouvinte, ou então está apenas embevecida pelo bonitão. Não sabe o que é Amor aos Pedaços. Ele: (declamando): – “Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida, você não sabe como estou feliz” e olha profundamente nos olhos dela, inclina-se para a frente e segura a mão da moça bem apertada. Logo a seguir: -“Você pode escolher o prato quente para dividirmos” mudando abruptamente para: “Eu sonhei em ter uma livraria”, e conta como é apaixonado pelos livros desde criança.

E assim vai ele solando sobre os mais diversos assuntos, conta como foi contratado pela Prefeitura, ela fixada nele. Aí conta como conseguiu obter gravações da ex-mulher com o amante, através de um enfermeiro do Savoy Pronto Socorro, e continua descrevendo suas aventuras para a baixinha, sempre vidrada nele, sempre com olhar entre embevecido e completamente idiota, depois volta a falar das franquias e da sua paixão pelos livros e a vontade de ter uma livraria, e também o desejo de montar academia de artes marciais… , o tempo passa, Sandra e eu mal conseguimos disfarçar a excitação, anotamos algumas coisas em guardanapos de papel, o assunto é extremamente fascinante. A moça não se dá conta, mas está correndo perigo. Algo neste casal nos passa uma tragédia suspensa por fios muito tênues, a brutal diferença física entre os dois, a obsessão sinistra do grandalhão evidenciada no seu falar pausado e monocórdio, a improvável salada de objetivos de vida…

Atrás de nós outro casal curioso, ele um jovem gatão gringo, cabelos longos, mãos bonitas e costas largas, na segunda caipirinha tripla, ela mulata esguia, cabelos anelados, insinuosa e sorridente, no segundo balde de dry-martini. Falam alto, ele em inglês e ela macarronicamente se dedica mais ao “body language”, se pegam, se beijam, a certa altura se levantam, e no meio do restaurante entre as mesas abraçam-se num longo beijo tarado e voltam a se sentar sorridentes. Mais dry-martini, mais caipirinha, o tom de voz se eleva, começam a brincar com os talheres fazendo um barulho danado, daqui a pouco se levantam novamente e se agarram mais intensamente, mão na bunda, beijos profundos, parece que de comum acordo estão fazendo uma prévia dos corpos, antes que desmaiem de tanto beber, dane-se o restaurante e quem estiver por perto. Neste caso a tragédia será apenas acordar com aquela puta dor de cabeça, talvez algumas manchas roxas e tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior…

é isso, por fernando stickel [ 20:47 ]

Uma Semana em Los Angeles

Em 1985 eu morava em Nova York e já havia marcado minha volta definitiva ao Brasil para passar o Natal com a família. No dia 23 de novembro, recebi uma ligação do meu querido amigo Jay Chiat (1931–2002):
— Hi Fernando! I’m going to LA, would you like to come?
Respondi imediatamente: Sure!
Jay enviou as informações da viagem e eu comprei um voo “red-eye” da PANAM, pousando em Los Angeles às três da madrugada de 3 de dezembro. No saguão, um motorista me aguardava e seguimos em uma Mercedes-Benz até 6 North Star, Marina del Rey. A rua estava completamente escura e, tateando no breu (sem celulares e lanternas…), procurei a campainha. Não lembro bem como consegui chamá-lo, mas depois de uns 20 minutos Jay abriu a porta. Fomos dormir.


Apartamento do Jay em Marina Del Rey

Na manhã seguinte descobri que estávamos literalmente de frente para o Pacífico, pé na areia. Saímos para fazer compras e tomar café no Porsche 944 preto. Depois corremos na praia e, pela primeira vez, mergulhei nas águas geladas do Pacífico.
Banho tomado, roupa limpa, fomos almoçar no 72 Market Street, decorado com obras de Billy Al Bengston e DeWain Valentine. Em frente ficava o estúdio de Jonathan Borofsky.


Market Street, Venice. À direita o restaurante, à esquerda o estúdio de Borofsky


Convite da galeria LA Louver para exposição Larry Bell

Após o almoço, visitamos a Galeria L.A. Louver, na 77 Market Street, onde havia uma exposição de Larry Bell. Jay me apresentou ao proprietário, Peter Goulds. Depois passamos no escritório do designer Bob Runyan (1925–2001), onde bebemos vinho e demos boas risadas.
Os dias seguintes foram nessa toada: Spago, Scratch, Chinois, La Toque, Michaels… No MOCA, vi pela primeira vez o trabalho de James Turrell, na retrospectiva Occluded Front.


James Turrell, retrospectiva Occluded Front. Fiquei impressionado com este trabalho


Frank Gehry

Um dia Jay me levou ao estúdio de Frank Gehry (1929-2025) em Venice — uma enorme fábrica caótica, com dezenas de maquetes de papelão penduradas no teto e poltronas igualmente de papelão espalhadas pelo espaço aberto. Gehry nos recebeu com simpatia.

À noite, fomos jantar no Rebecca’s, na 2025 Pacific Avenue, projeto recente de Gehry. Chegamos no 944 preto e, para minha vergonha, eu não conseguia achar a maçaneta — o manobrista precisou ajudar. Entrar no restaurante foi um deslumbramento: o bar de alabastro/ônix reluzia na atmosfera sensual de luzes rebaixadas, e um enorme crocodilo metálico pendurado no teto. O ambiente era o mais ousado que eu já tinha visto.
Os convidados começaram a chegar, Jay me apresentando a todos — entre eles, Dennis Hopper (1936–2010). Lembro Jay discutindo com ele a compra de um warehouse para um projeto conjunto. Eu ali, sentado ao seu lado, saboreava o privilégio de jantar com um dos monstros sagrados do cinema.

Em outro dia, Jay, Keith Bright (1932-2018) e Bob Runyan organizaram um almoço onde me apresentaram Riaya, linda jovem de origem árabe. Convidei-a para jantar. Keith ouviu e disse:
— Fernando, take my car, you will love it!
O carro era simplesmente o sonho californiano: um Cadillac 1959 conversível cor-de-rosa. À noite, capota aberta, Venice parecia o Guarujá da minha infância — ruas escuras, trechos desertos. Após o jantar, seguimos passeando. Parei num farol vermelho e virei à direita, tudo vazio. De repente, como em filme, uma viatura da polícia surgiu do nada. O policial perguntou se eu não havia visto o sinal vermelho, examinou os documentos e perguntou:
— Have you been drinking?
— Well, I had dinner…
Depois de algumas advertências e muitos Yes, officer, ele devolveu meus documentos e nos liberou. Seguimos, aliviados, na maravilhosa “banheira”.


Cadillac 1959 Convertible

Em mais uma tarde memorável, Jay me levou à galeria de um amigo (cujo nome esqueci) onde me deparei com inúmeras caixas de Joseph Cornell. Ao perceber meu fascínio, o galerista me levou ao acervo e colocou outras caixas em minhas mãos. Um privilégio raro.

Um belo dia Jay falou assim:
— Fernando, I’m not going to use the car tomorrow, you wanna use it?
Aceitei na hora. No dia seguinte, acordei cedo, tomei banho, vesti minha Lacoste azul-marinho, peguei os óculos escuros e o mapa da cidade e rodei cerca de 400 milhas por Los Angeles — no Porsche 944 preto. Visitei o Getty Museum, San Fernando Valley, Griffith Observatory; passei pela Rodeo Drive, Beverly Hills, Sunset Boulevard… Foi um dia glorioso.


Griffith Observatory

Houve ainda um episódio divertido: em um almoço, nossa garçonete era jovem, bonita e usava grandes argolas. Keith chamou-a e comentou:
— Quanto maior o diâmetro da argola, maior a sensualidade; quanto maior a espessura, maior o sex drive.
Quando ela trouxe o troco, veio junto um de seus brincos… Jay e eu saímos, e Keith ficou paquerando a moça.

Minha semana em LA, hóspede do Jay, encerrou com chave de ouro meus 15 meses nos EUA. Conviver com ele e seus amigos — todos bem-sucedidos, premiados, mas sobretudo generosos e curtidores — ampliou meu entendimento sobre amizade, profissionalismo e generosidade.
Jay era sócio da agência Chiat/Day, tinha 54 anos e estava no auge do sucesso, sua agência atendia clientes como Apple, Pizza Hut, Suntory, Nike e Porsche. Keith aos 53 e Bob, 60, eram designers gráficos de sucesso. Eu, aos 37 anos de idade, bebia gulosamente na fonte de sabedoria dos amigos americanos…


Keith, eu, Jay e Bob de smoking

Voltei a Nova York, fiz as malas e, em 13 de dezembro, cheguei a São Paulo carregando um grande rolo de obras em papel produzidas em NY. Após emolduradas, deram origem à exposição NYC85, apresentada em abril de 1986 na Galeria Suzanna Sassoun.

é isso, por fernando stickel [ 7:33 ]


Visitamos o Pantanal Matogrossense. Lindo. Poderoso. Encantador.

A poucos metros da maravilhosa Pousada Caiman, onde nos hospedamos, a natureza se apresenta avassaladora.

é isso, por fernando stickel [ 8:43 ]

Participei do 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea no Pavilhão da Bienal de São Paulo no Ibirapuera em 1986, com três pinturas de grandes dimensões (4 metros de comprimento…), acrílica sobre tela, ralizadas em New York.

A Secretaria de Estado da Cultura, promotora do Salão, era ocupada por Jorge da Cunha Lima, no governo de André Franco Montoiro.

é isso, por fernando stickel [ 7:25 ]

No dia de ontem, curiosamente às vésperas da comemoração do DIA DO SÍNDICO, 30 de novembro, três coisas importantes se condensaram.

-Na Fundação Stickel, o júri do Stickel Poster Contest 3, chegou à premiação e aos destaques do nosso concurso de cartazes. Peças chave deste empreendimento Rico Lins, o curador e Igor Damianof, produtor cultural.


Curador Rico Lins e jurada Clarissa Schneider, os outros membros do juri foram Thiago Lacaz e Monica Schoenaker.

-Eu, como organizador e coordenador, vi nascer o livro JC Garage, retratando uma fabulosa coleção de carros clássicos em Campinas, SP. A equipe composta dos fotógrafos Leo Sposito e Nelson Kon; redator Tato Coutinho; designer Rico Lins; produtor gráfico Jairo da Rocha e diagramador Lucca Conversano foi impecável, o resultado final impressionou!


A capa do livro

-A obra de reforma do Salão de Festa do Condomínio Modular Delta, onde sou síndico, ficou linda e foi inaugurada com um happy-your para todos os moradores. Peça fundamental desta obra a arquiteta Sandra Pierzchalski, autora do projeto e minha equipe de Conselheiros.

Sinto-me muito realizado nesta curiosa missão de síndico, misto de administrador, psicólogo, mediador, arquiteto e construtor. Fui síndico cerca de 50 anos atrás, quando morei no Edifício Jaguar, recém construído, do qual foi um dos primeiros moradores. Na condição de jovem arquiteto que acompanhou a construção do prédio, percebi inúmeros defeitos que não foram sanados e tomei para mim a missão de cobrar a construtora, me transformando no síndico. Minha permanência no cargo foi rápida e suficiente para entender a dimensão e a encrenca da missão. Na versão atual, meio século após a primeira experiência, acabei na posição por ter entrado em um túnel de inevitabilidades, uma coisa levou à outra e pronto! Estou no cargo há três meses. Por sorte tenho uma equipe de jovens conselheiros que me auxilia muito na missão.
Os três trabalhos dependerão, em última análise, do trabalho em grupo. Nada se faz sozinho, montar uma boa equipe e gerenciá-la eficientemente é o segredo do sucesso! A figura do síndico simboliza bem o ser agregador necessário ao trabalho em equipe.

é isso, por fernando stickel [ 17:29 ]


Com esta colagem sobre papel intitulada VET, de 27 x 187 cm. ganhei em 1985 o Prêmio Aquisição Desenho, no III Salão Paulista de Arte Contemporânea, realizado no Pavilhão da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera.


Convite do Salão.


Ficha técnica dos três trabalhos enviados.


Os prêmios aquisição.

é isso, por fernando stickel [ 11:39 ]