
A Vejinha desta semana traz o encarte “Especial Bairro a Bairro” sobre a Vila Olímpia.
Fui convidado pelo jornalista Marcelo Moura a dar meu depoimento sobre meu querido bairro, onde morei por vinte anos na R. Ribeirão Claro.

Foto do Bar Astor.
Vocês sabem aqueles bares que tem um monte de garrafas de whisky, com a etiqueta do dono?
Pois então, no Bar Supremo, que existiu durante anos na Rua da Consolação, 3473, esquina da Oscar Freire, eu cheguei a ter uma garrafa minha de Red Label.
Corria o início de 1986, eu tinha acabado de voltar de um ano e três meses sabáticos em New York, não tinha onde morar e estava procurando um lugar, enquanto isso minha amiga Simone Raskin gentilíssimamente me cedeu um quarto na sua casa na Al. Tietê.
Ela pouco ficava em casa, morando a maior parte do tempo em Parati, e o filho dela morava na França com o pai, portanto a casa estava quase que 100% só para mim, com uma empregada maravilhosa!
Foi um período difícil, de readaptação, eu estava meio desorientado e procurava refúgio no Supremo, onde sempre tinha umas pessoas conhecidas, papo vai papo vem, drinks…
Finalmente comprei minha garrafa, e certa noite esvaziei-a em várias horas de conversa jogada fora, não lembro (óbviamente) nem com quem, mas muitas pessoas passaram pela mesa.
Acho que ainda comprei uma segunda garrafa, mas no meio do ano já havia descolado casa nova na R. Ribeirão Claro na Vila Olímpia e minha carreira de bebum encerrou-se.
Logo depois, por volta dos meus quarenta anos, abandonei o hábito do uísquinho ao final da tarde, tenho certeza absoluta que não dou para esta vida cativa em uma cadeira de bar.

Uma amiga folheando antigos números da revista Casa Claudia encontrou um artigo de 2001 onde aparece meu estúdio na R. Ribeirão Claro na Vila Olímpia.
Naquela época, em 2001, eu dava aulas de desenho e tentava avançar com minha carreira de artista plástico, não tinha a menor idéia que seria “tragado” pelo Terceiro Setor, e nem que descobriria, em 2003, uma nova vertente para meu trabalho na fotografia.

Três momentos do imóvel da R. Ribeirão Claro 37, na Vila Olímpia.
2007, ainda com as construções, 2008 com as construções já demolidas e o portão intacto, 2009 em plena obra da nova sede da Comunidade Shalom.

Me impressiona muito a passagem do tempo.
O tempo passa e as coisas mudam, rápidamente.
Em Agosto 2004, cinco anos atrás, a Fundação Stickel se movimentava lentamente para sair de um sono letárgico de 30 anos, por pouco não desisti da empreitada, tal a quantidade de problemas enfrentados.
Em Agosto 2005, há quatro anos atrás, iniciava-se a reforma do Espaço Fundação Stickel, na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, que foi inaugurado em Outubro com a exposição do Baravelli.
Utilizado intensamente até Dezembro 2006, abrigou nove exposições.

O imóvel da R. Ribeirão Claro 37 foi demolido e hoje recebe a construção da nova sede da Comunidade Shalom.

Vencedores de um concurso de arquitetura promovido pela Shalom, o projeto será de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, da Brasil Arquitetura.
Eu fico particularmente feliz com o desfecho do uso de um imóvel que foi minha casa/estúdio por 20 anos, na qual nasceu meu filho Arthur, escrevi meu livro aqui tem coisa e plantei várias árvores, no terreno e na calçada.

Anisio Campos e eu em 1988, por ocasião da realização do curso que criamos, a 1ª Oficina de Design de Automóvel, no estúdio da R. Ribeirão Claro, que já não existe mais.

Esquina da R. Quatá com R. Ribeirão Claro, na Vila Olímpia. O bar da esquerda está lá há décadas, já a loja da direita, de suplementos nutricionais é novinha em folha.

Morei nesta vila da Al. Tietê por nove meses em 1985/86, hóspede da minha amiga Simone Raskin.
Tinha acabado de voltar de um ano e três meses sabáticos em New York, não tinha onde morar e estava procurando um lugar.
A Simone pouco ficava em casa, morando a maior parte do tempo em Parati, e o filho dela David Helman morava na França com o pai, portanto a casa estava quase que 100% só para mim, com uma empregada maravilhosa!
Naquela época não havia portão na vila, aliás não havia nem um milésimo dos problemas de segurança que enfrentamos hoje em São Paulo.
Sou eternamente agradecido à Simone por este período.
Pouco a pouco vou registrando todos os endereços onde já morei:
R. Henrique Martins – onde nasci
R. dos Franceses
R. Martiniano de Carvalho
R. Hans Nobiling – Ed. Hugo Eduardo
R. Hans Nobiling – Ed. Jaguar
R. Tucumã
R. Sampaio Vidal
R. Pinheiros
R. Bela Cintra 2234 Casa 3
165 West St. NYC
23 Clinton St. Ap. 4A 10002 NYC
11 West 18 St. Ap. 5W 10011 NYC
Al. Tietê
R. Ribeirão Claro
R. Tabapuã
R. Bela Cintra 2234 Casa 4
R. Ribeirão Claro (após reforma)
R. Casa do Ator
R. Nova Cidade – meu estúdio.
Av. Lavandisca – onde moro.

A edição Nº1 da Elle Brasil acaba de completar 20 anos!
E eu estava lá, em artigo sobre a minha casa/estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia.
Em 1988 Anisio Campos e eu promovemos no meu estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, a
1ª Oficina de Design de Automóvel.
Durante um ano Anisio e eu nos reunimos periódicamente, estruturando o curso e batalhando patrocínios, finalmente selecionamos 14 rapazes, que aprenderam em seis semanas, desde a história do design automobilístico até fazer a maquete (mock-up) dos projetos de final de curso.
Passamos pelas técnicas construtivas, dimensionamento, ergonomia, motores, aerodinâmica, desenho de observação, arte, etc… Obtivemos apoio da Pirelli e FIESP.
O resultado foi excelente, refizemos o curso em Brasília em 1990 e Fortaleza em 1992.

Da esq. para a direita, Anisio, eu e Tito Nakao, agachado, André Cintra.

Na minha casa/estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, início de 1990, em pleno Plano Collor, ao lado de pinturas que mostrei no fim do ano na Galeria Paulo Figueiredo e na aula de desenho de observação com modelo vivo. (apenas dois alunos…)
No ano anterior, 1989, cheguei a ter quatro turmas de 15 alunos e promovi exposição dos trabalhos de 46 alunos na Galeria Montesanti Roesler. (atual Nara Roesler)
O Plano Collor modificou para sempre o cenário das aulas e das artes, nunca mais houve aquela alegria e descontração.
O ano de 1990 se arrastou, com pouquíssimos alunos, perspectivas rigorosamente iguais a zero no mundo das artes, e mesmo assim eu insisti em fazer a exposição. Acabei vendendo uma pintura…

Rua Ribeirão Claro 37 – Vila Olímpia – São Paulo
Este endereço, como carne e unha, fez parte da minha vida por 21 anos.
Lá morei, trabalhei, namorei, cozinhei, casei, sobrevivi a enchentes, plantei árvores, escrevi um livro, nasceu meu filho Arthur, iniciei o curso “Desenho com Fernando Stickel”, fiz festas, preparei exposições, fiz 21 reformas, negociei, transformei, hospedei amigos, pintei de inúmeras cores, conheci vizinhos, bem e mal humorados, e finalmente cedi gratuitamente para que a Fundação Stickel lá construisse o “Espaço Fundação Stickel” e realizasse 9 exposições.
Na fase de desmontagem do espaço, tal qual um corpo doando órgãos, distribuí aos amigos e pessoas próximas, luminárias, plantas, caixilhos, telhas, grades, portas, louças e metais, etc…etc…
Sem dúvida é um imóvel que cumpriu plenamente sua função, pública e privada.
E que ainda continuará cumprindo, pois o novo proprietário, a Comunidade Shalom fará um concurso de arquitetura para definir o projeto do novo edifício.

A exposição da Luise Weiss no Espaço Fundação Stickel encerra um ciclo de nove exposições, desde Outubro 2005:
LUISE WEISS – SAGA
JUAN ESTEVES E JOAQUIM MARQUES – Fotografias
ROUXINOL 51 – UM OLHAR SOBRE A ESCOLA BRASIL:
FERES KHOURY – Desenhos de grandes dimensões
4 LINHAS – Carla Ricciuti, Cris Mie, Malvina Sammarone, Renata Cook
JOSÉ CARLOS BOI CEZAR FERREIRA – Pinturas
MAGY IMOBERDORF
CÁSSIA GONÇALVES – Grafo esculturas transparentes
LUIZ PAULO BARAVELLI – Pinturas da Série Arte e Ilusão
Trabalhamos muito e com enorme prazer para que tudo isso fosse possível. Iniciamos com a exposição do Baravelli, e a cada exposição sentimo-nos mais e mais no caminho correto. Em 2007 a Fundação Stickel não terá mais disponível o espaço de exposições da R. Ribeirão Claro, teremos que procurar outro espaço, se possível com parcerias, ou outras soluções, mas com a certeza absoluta de que o rumo será mantido.

Em 1989 promovi exposição de 46 alunos do meu Curso de Desenho de Observação na Galeria Montesanti-Roesler (hoje Nara Roesler). Finalmente encontrei, nas minhas arrumações esta foto do grupo tirada no meu estúdio da R. Ribeirão Claro, que foi usada na divulgação e no convite.

Preparativos finais para a exposição do Baravelli no Espaço Fundação Stickel.
O “Tio” foi fantástico na nossa pequena obra, hidráulica, elétrica, alvenaria, telhado, de tudo ele entende. Várias destas árvores na R. Ribeirão Claro eu plantei, e cuido delas desde 1985, matando cupins, limpando, etc…
Agnes, Soraia e Miriam, da Fundação Stickel, cuidam de tudo nas burocracias e administração. O Lobato, sem foto, idem.

Ao final da tarde deste domingo, completamos 99% da obra do Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro, agora só falta meia-dúzia de detalhes.
Sábado que vem, dia 15/10 será a inauguração.
Já, já vou convidar vocês para a festa… por enquanto ainda é surpresa…

A equipe nota 10 comandada pela Sandra se desdobrou, o Tio que é o nosso cérebro da hidráulica e elétrica, o Preto, o Tonho, Bahia, Marco, Cláudio e Rodrigo. Até o Arthur ajudou a finalizar a obra do Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro.

Acendem-se as luzes do Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro…

O Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro evolui…

O Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro ganha detalhes.

O Espaço Fundação Stickel na R. Ribeirão Claro se modifica.

O espaço na R. Ribeirão Claro se modifica.

Sexta-feira, final da tarde, o espaço na R. Ribeirão Claro se modifica mais um pouco.

O espaço na R. Ribeirão Claro evolui…

Ontem e hoje, o espaço na R. Ribeirão Claro se modifica.

Limpeza das paredes antes da pintura na R. Ribeirão Claro. Equipe firme e rápida.

Sexta-feira, final da tarde, o espaço se modifica na R. Ribeirão Claro.

O Espaço Fundação Stickel se modifica rápidamente.

Estou planejando umas coisas neste espaço…

Construí este banheiro na minha casa da R. Ribeirão Claro um pouco antes do meu filho Arthur nascer. Ele vai completar 10 anos no próximo dia 17 Janeiro.
Tomei muitos banhos de banheira com ele, ali relaxei acompanhado de um uísque triplo nos piores dias da fase em que fui sócio do Auto Posto Interlaken, um posto de gasolina, e agora olho para tudo isso com a certeza de que nada é para sempre, tudo muda, tudo se transforma, pessoas, coisas, casas, o planeta.

Enchente na Vila Olímpia, 1986. Estou olhando o rio em que se transformou a R. Ribeirão Claro.
A água chegava a subir um metro!
Na esquina da atual Av. Helio Pellegrino x R. Ribeirão Claro, era o local onde o córrego Uberabinha saia do seu leito e avançava pelas ruas. De dentro da minha casa, equipada com comportas e proteções eu ficava monitorando e controlando os estragos. Pela rua transformada em rio navegavam colchões, bananeiras, sacos de lixo, sofás, tudo que é possível imaginar.

Um dos eventos da natureza mais engraçados que já vivi foi o surgimento espontâneo de fumo (Nicotiana tabacum L. ) no meu jardim, em plena Vila Olímpia.
Aconteceu assim: Havia no meu jardim uma grande área cimentada, a qual decidi demolir e nela plantar grama.
A demolição foi feita, e lá ficou aquela grande área de terra exposta aos elementos. Começou a nascer um mato, o mato cresceu, ficou enorme, nunca havia visto folhas tão grandes, até que um dia chegou um senhor sabido das coisas e disse assim:
-Seu Fernando, plantou fumo?
E eu:
- Fumo?
- É, essa planta é fumo!
Nunca saberei donde veio tanto fumo!!



