26 de agosto de 2010


Hiroshi Okumura

Conhecido como “Seu Paulo” o jardineiro japonês que trabalhou décadas para os meus pais na casa da R. dos Franceses era uma figura.
Tinha hábitos exóticos, como colocar jornal dentro do sapato, cozinhar no quarto e curtir fotografia.
Lia revistas em japonês, e guardava pilhas delas em seu quarto em cima da garagem.
Não se alterava jamais, porém de tempos em tempos procurava minha mãe, tirava os óculos, punha as mãos na cintura e reclamava:
- Dona Marta! Axim no e poxivel! Dona Frola non sabe o que quer!!

Isso porque a “Dona Frola” era desorganizada e pedia para o “Seu Paulo” ir ao Monte Azul, mercearia do bairro umas quinze vezes por dia…

é isso, por fernando stickel [ 10:17 ]
18 de agosto de 2010


Meu irmão descolou não sei onde esta foto do “Seu Paulo” nome adotado por Hiroshi Okumura, japonês que trabalhou como jardineiro na casa dos meus pais na R. dos Franceses durante décadas.
Ele falava muito mal o português, em compensação conhecia bem a escrita japonesa, algo de que meu pai, bibliófilo, se valia sempre que necessário.

Ele morava em um quarto em cima da garagem, e lá mantinha como hobby um laboratório fotográfico, e dividia com a “Dona Frola” os cuidados do basset Lumpi, no colo dele.

é isso, por fernando stickel [ 15:21 ]
15 de maio de 2010

futebol
O evento da foto está descrito aqui, o muro de arrimo se vê coberto de vegetação.

Lá nos anos 50, quando eu tinha cerca de 8 ou 9 anos, meus pais compraram um terreno nos fundos da nossa casa na R. dos Franceses, e contrataram um peão para fazer um muro de arrimo.
Ele montou um barraco lá nos fundos, trabalhava de dia e morava no barraco, cozinhava, dormia, só não me perguntem onde era o banheiro dele…
Eu que sempre fui curioso, adorava ficar por ali na obra fuçando, examinando, perguntando coisas pro peão, até que um dia a tarde foi caindo e eu fui ficando por ali, até que senti um delicioso e pungente cheiro de linguiça frita.
Era ele cozinhando, deviam ser sete horas por aí, ele tinha uma lamparina, fogãozinho, tudo muito simples, aí ele perguntou se eu não queria experimentar, e me ofereceu a linguiça em um pedaço de pão.
Aceitei e é claro que me deliciei!
Depois contei a aventura e levei, óbvio, uma bronca daquelas.
Hoje em dia, cada vez que sinto este cheiro, pode ser na rua, onde for, a lembrança me vem absolutamente cristalina!

é isso, por fernando stickel [ 18:59 ]
9 de abril de 2010

fraulein
Bilhete que enviei ao meu filho Arthur, alguns anos atrás, quando morreu sua Beagle Madonna:

Arthur,
Quando eu tinha a sua idade, eu e os meus irmãos tínhamos uma babá chamada Fräulein (o nome real dela era Lina Johanna Dietze, mas todo mundo chamava ela de “Dona Frola”), que morava conosco na casa da vovó Martha e vovô Erico, na R. dos Franceses.
A Fräulein tinha um cachorrinho que se chamava Lumpi, era um Dachshund (Salsicha) pretinho.
Teus avós não gostavam de cachorro, e o Lumpi ficava o tempo todo atrás da Fräulein na cozinha, na área de serviço e no jardim, nunca dentro da casa.
Todas as noites ela escovava os dentes do Lumpi, e quado ele morreu, já bem velhinho, foi enterrado no mesmo jardim onde tanto passeou e brincou.

Foi graças à Fräulein que hoje falo alemão razoavelmente, e pude voltar a ter aulas em um nível avançado, pois ela só falava comigo em alemão.

é isso, por fernando stickel [ 12:14 ]
22 de dezembro de 2009

natalf
A magia do Natal existia na minha infância.
Na casa da R. dos Franceses na Bela Vista, a sala de visitas era blindada semanas antes do Natal. Janelas e estas portas duplas com vitrais, eram fechadas a chave e protegidas com panos pretos por todas as frestas.
Lá dentro minha mãe, minha avó e outros eleitos preparavam em segredo a árvore de natal e os presentes.
As crianças tinham que se contentar com o “Adventskalender” onde cada janelinha era aberta assim que se aproximava o Natal.
O entrar e sair da sala pelos adultos eram as únicas oportunidades de vislumbrar alguma coisa.
Era simplesmente fascinante.
Finalmente no grande dia todo mundo se arrumava e as portas se abriam ao final da tarde do dia 24. Com todas as velas acesas a árvore de Natal se apresentava gloriosa, ali ao lado um enorme balde d’água de plantão, meu pai se preocupava com a possibilidade de um incêndio com tantas velas.
Aí cantava-se “O Tannenbaum” e Stille Nacht” tudo em alemão.
Finalmente a largada para encontrar e abrir os presentes. E para pegar os chocolates pendurados na árvore.
Depois, a ceia maravilhosa, tudo envolto na luz dourada das velas.

é isso, por fernando stickel [ 9:20 ]
19 de novembro de 2009

cadillac2
Memórias Infantis
Eu me lembro deste Cadillac 1949 na garagem da nossa casa na R. dos Franceses, até o cinza era parecido.

No site do ilustrador Dan Palatnik, muitos outros carros lindos.

é isso, por fernando stickel [ 7:57 ]
16 de julho de 2009

futebol
Cerca de 1970, no terreno dos fundos da casa dos meus pais na R. dos Franceses havia uma quadra cimentada, e lá inventamos um jogo de futebol.
O engraçado é que, se bem me lembro, nenhum dos artistas plásticos participantes da brincadeira tinha muita conexão com o esporte bretão.
Eu sempre fui um perna de pau, isso posso garantir.
Além dos jogadores estavam também a Sakae, mulher do Baravelli e seu filho Zé.

futebol-2
Da esq. para a direita, José Carlos BOI Cezar Ferreira, eu, Cassio Michalany, Luis Paulo Baravelli, Carlos Alberto Fajardo e Leslie Joseph Murray Gattegno (falecido).
Não tenho a menor idéia de quem tirou as fotos, as cópias em papel apareceram nos meus guardados.

é isso, por fernando stickel [ 17:38 ]
10 de julho de 2009

klaus-dieter-wolff
À esquerda Klaus-Dieter Wolff, à direita Roberto Schnorrenberg.
De 1964 a 1969 cantei no naipe dos tenores de um grupo coral amador chamado Conjunto Coral de Câmara de São Paulo, regido por Klaus-Dieter Wolff (1926-1974) dedicado a repertórios medievais, renascentistas, de música contemporânea e de autores brasileiros.

Eu morava com meus pais na R. dos Franceses na Bela Vista e ia a pé aos ensaios no Colégio Visconde de Porto Seguro na Praça Roosevelt, duas vezes por semana, à noite.
O grupo se apresentava em teatros, igrejas, na TV, na Semana Santa viajávamos sempre para Santos e lá nos apresentávamos em uma igreja, ocasionalmente haviam apresentações conjuntas com o Madrigal Ars Viva de Santos e o Collegium Musicum de São Paulo, sob regência de Roberto Schnorrenberg (1929-1983)
A maior glória foi uma destas apresentações conjuntas no Teatro Municipal de São Paulo, com a casa cheia, em 7/12/1968 com o Vespro della Beata Vergine de Claudio Monteverdi.

coral2
A emoção de se apresentar com orquestra sinfônica completa, quase cem vozes e casa cheia é indescritível.
Depois das apresentações o grupo terminava invariavelmente em uma pizzaria, com todos cantando e sendo aplaudidos pelos outros comensais.

é isso, por fernando stickel [ 9:52 ]
30 de junho de 2009

samovar
Este samovar esteve durante décadas na sala de jantar da casa dos meus pais na R. dos Franceses.
Agora repousa no meu estúdio.

é isso, por fernando stickel [ 9:11 ]
6 de junho de 2009

quintal
Eu e meu pai, no quintal da R. dos Franceses, cerca de 1951/52.

é isso, por fernando stickel [ 16:26 ]
5 de junho de 2009

irmaos
Minha irmã Sylvia e eu, brincando no quintal da casa da R. dos Franceses, cerca de 1953.

é isso, por fernando stickel [ 8:30 ]

syl
Meu pai e minha irmã Sylvia, cerca de 1952, no quintal da R. dos Franceses.

é isso, por fernando stickel [ 8:15 ]
26 de abril de 2009

franceses
R. dos Franceses, Bela Vista, fotografada em direção à esquina da Al. Joaquim Eugênio de Lima. A foto veio daqui. A primeira seta indica a casa onde morei, a segunda a localização aproximada da Praça dos Franceses.

Quando eu era criança e morava na R. dos Franceses, havia um vizinho da rua que era amigo dos meus pais, e que de vez em quando aparecia em casa, era o diplomata alemão Gottfried von Nostitz-Drzewiecki (1902-1976) que serviu como Cônsul da Alemanha em São Paulo de 1957 a 1964.
Herr von Nostitz (ele era chamado assim pelos meus pais) tinha cachorros ferozes, acho que eram pastores alemães, que latiam violentamente todas as vezes que eu passava a pé em frente à casa dele, e de noite eu tinha pesadelos com os cães.
Muitos anos mais tarde a casa dele foi demolida para que se construisse a Praça dos Franceses.

Fiz uma pesquisa rápida no Google, e aparentemente, von Nostitz esteve envolvido na resistência alemã a Hitler, possivelmente parte do atentado orquestrado por von Stauffenberg.

Veja a fonte da Praça dos Franceses em ação clicando aqui.

é isso, por fernando stickel [ 20:46 ]
5 de março de 2009

pilao
Minha fase da pólvora durou um ou dois anos, eu devia ter 13 ou 14 anos, e terminou com uma explosão.
Meus amigos me ensinaram a produzi-la em casa, com clorato de potássio (KClO3) e açúcar. Para acelerar a reação adiciona-se fósforo (P) vermelho, mas cuidado que aí qualquer atrito pode fazer a mistura explodir.
No início foram as bombinhas de São João, que nós desmontávamos e fazíamos de várias pequenas uma grandona, mas dava muito trabalho. Depois a coisa evoluiu para a produção “industrial”, queima lenta para os foguetes, e queima rápida para as bombas.
A explosão final se deu em um final de tarde, no meu quarto na R. dos Franceses na Bela Vista, coloquei a mistura de clorato de potássio e açúcar no almofariz, misturei bem, e me preparei para adicionar o fósforo vermelho, que é uma substância higroscópica e forma grânulos.
Lembrei da dica dos meus amigos que qualquer atrito pode provocar explosão, mirei bem um grânulo com o pilão, me afastei, e com o braço estendido bati.
Uma luz intensa, um estampido seco, tontura e um zumbido infernal nos ouvidos, sobrepujando todos os outros sons.
Levantei da mesa e mal consegui andar, tanta era a fumaça, abri as janelas do quarto, a fumaça começou a sair, abri a porta do quarto e saí envolto em volutas de fumaça branca, no hall do andar de baixo a família inteira olhava para cima assustada, pois a explosão foi ouvida em toda a vizinhança, as pessoas sairam à rua perguntando o que havia acontecido, foi um fuzuê…
O saldo da brincadeira foram os meu dedos da mão direita incrustrados com resíduos da explosão, o zumbido que durou cerca de um mês para sumir, e a cúpula do abat-jour que se encolheu com o calor, sem falar na bronca que levei dos meus pais…

é isso, por fernando stickel [ 10:41 ]
11 de fevereiro de 2009

Recebi em Novembro do ano passado um comentário em um post do Sr. Manuel Miguez, relatando seu contato com meu pai, Erico Stickel, e lamentando seu falecimento:

Conheci o Dr. Erico, o João e a sua secretária, era uma pessoa que era, por demais humilde, que era querido por todos que o conheciam e que para todos tinha sempre uma palavra amável. Lembro-me do Abaporu ao lado de sua mesa, lembro-me da alegria que me deu ao comprar-me uma máquina de escrever.
Sinto-me menor sabendo de sua “passagem”.

Perguntei a ele por e-mail que máquina de escrever era, e o Miguez me respondeu:

Meu caro:
Foi uma máquina de escrever Olivetti Linea 98, manual, que seu pai comprou e eu entreguei na casa em que eles moravam na Rua dos Franceses, sendo que fui recebido pelo “japonês” que já havia se aposentado e havia chorado pensando que deixaria o trabalho, que já não era mais querido na casa.
Creio que o escritório era na Rua São Francisco, mas, eu, atualmente, moro na Espanha, e, devido ao tempo passado (seriam 28 anos) não estou muito certo, sei que era na rua que vai diretamente à passarela que cruza a Praça da Bandeira.
O mais importante que eu quero lhe dizer é que, com o seu pai, e com os dois funcionários com que ele ficou, eu tinha uma guarida naqueles dias em que as nuvens negras passam pela sua vida, que ali sempre havia coisas bonitas pra se dizer, sempre me ensinava alguma coisa.
Eu NUNCA podia imaginar a sapiência, e o bom gosto, da escolha de seu pai, para ser, segundo me informaram “um dos maiores possuidores de arte brasiliana”.
O que posso lhe dizer é que sabedor que sou de seu trabalho na Vila Brasilândia, fico muito contente, porque a minha casa, em São Paulo, é em Itaberaba, e sei das dificuldades daquela gente.
Muito obrigado pela resposta.
Eu sei que seu natal nao deve ser muito alegre pela “coincidência”, o meu também (juro) será um dia pra se lembrar.
Obrigado
Miguez

é isso, por fernando stickel [ 12:01 ]
9 de dezembro de 2008


Na R. dos Franceses na Bela Vista está encalhada há décadas esta baleia pré-histórica, a poucas dezenas de metros da casa onde nasci e minha mãe morou até 3 anos atrás. Seu autor é o escultor Domenico Calabrone.
Todos os meus filhos, quando pequenos, se interessavam pelo monstro, pincipalmente quando “fazia xixi”, pois o monstro é também, nas horas vagas, uma fonte.

é isso, por fernando stickel [ 17:43 ]
27 de novembro de 2008


Necessidade, melancolia, progressão.
Tudo muda, tudo passa.

é isso, por fernando stickel [ 14:39 ]
25 de novembro de 2008


Este é o banheiro da minha infância e adolescência, fica na desativada casa da família na R. dos Franceses, Bela Vista (ou Bixiga).

é isso, por fernando stickel [ 10:12 ]
5 de novembro de 2008


Meus avós paternos, Erna e Arthur Stickel em frente à lareira da casa da R. dos Franceses, na comemoração de suas bodas de ouro em 1966.

Engraçado um detalhe impensável nos dias de hoje, na mesa de centro, um copo com cigarros. Como ninguém na casa fumava, imagino que o costume da época era oferecer cigarros…

é isso, por fernando stickel [ 16:19 ]
3 de novembro de 2008


Enquanto a casa da família na R. dos Franceses se esvazia lentamente, a biblioteca se organiza, também lentamente.

é isso, por fernando stickel [ 17:28 ]
2 de agosto de 2008

Deu na Veja:

Segredos do Brasil
Moreira Salles compra acervo com 1.500 imagens raras do país dos séculos XVI ao XIX.

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Foto: Roberto Setton

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Foto: Fernando Stickel

UM HOMEM DISCRETO
Erico Stickel, morto em 2004, foi dono do Abaporu. Era um grande colecionador, mas nem seus filhos sabiam do tesouro que ele reuniu.
O colecionador de arte Erico Stickel, falecido em 2004, era um homem reservado. Saía pouco de casa, não freqüentava vernissages e só exibia as preciosidades de sua coleção a amigos raros. Durante duas décadas, manteve em uma das paredes de sua residência, em São Paulo, o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, hoje avaliado em 10 milhões de dólares e tido como a estrela do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires – MALBA.
Ao longo da vida, Stickel reuniu em casa 1 500 obras de arte, principalmente desenhos, aquarelas e gravuras, que retratam o Brasil desde o século XVI, em cartografia, até o século XIX, em registros do cotidiano. Todo esse acervo ficava num único quarto, isolado até da própria família. Apenas uma pequena parte, mais precisamente 10% dela, foi divulgada no livro Uma Pequena Biblioteca Particular (Imprensa Oficial/Edusp), que o colecionador publicou em 2004.
Ele nem sequer fazia seguro das obras. Por isso, foi uma surpresa para os filhos quando, após sua morte, surgiu uma coleção variada e poderosa, com trabalhos de autores famosos como Johann Moritz Rugendas, Henry Chamberlain e o botânico alemão Carl Friedrich von Martius. É esse material que a família acaba de vender ao Instituto Moreira Salles, a um preço que não é revelado por nenhuma das partes, mas que o mercado estima ser próximo de 1,5 milhão de dólares.
Embora o acervo conte com nomes de peso, nas pesquisas em feiras e leilões de arte Stickel não buscava apenas assinaturas. Valorizava trabalhos que registrassem aspectos da vida brasileira, independentemente do autor. O resultado é um conjunto diversificado e original. A visão que se tem hoje do Brasil no século XIX, antes da invenção da fotografia, é bastante influenciada pelo olhar de franceses, como Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay, cujos trabalhos são mais conhecidos do grande público. Na coleção de Stickel, há também obras de ingleses, italianos, alemães, portugueses, belgas, holandeses, austríacos, irlandeses e russos. A variedade se dá também no espaço. Além do Rio de Janeiro, a capital mais pintada e posteriormente mais fotografada do país, há imagens de Recife, Salvador, Florianópolis, Porto Seguro, Ouro Preto, Mariana, Sorocaba e do interior de Goiás. “Erico Stickel tinha uma capacidade ímpar de prospecção de obras. Não cultuava os valores do mercado, era um intelectual e sabia discernir algo que fosse de fato relevante sob o ponto de vista histórico e cultural. Daí sua importância”, diz a pesquisadora Ana Maria Belluzzo, autora do livro O Brasil dos Viajantes (Editora Objetiva).

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Foto: Roberto Setton

TRÊS MOMENTOS
Paisagem de Ouro Preto, pelo botânico alemão Von Martius em sua expedição pelo interior do Brasil, em 1817; cena da Guerra do Paraguai, feita pelo italiano Edoardo de Martino no campo de batalha; e o mapa de 1552, a peça mais antiga da coleção, com a América do Sul habitada por canibais: preciosidades garimpadas por Stickel ao longo de quatro décadas
A peça mais antiga do acervo é um curioso mapa feito pelo cartógrafo alemão Sebastian Münster, que mostra a América do Sul povoada por canibais. É datado de 1552, ou seja, pertence a um período de escassa iconografia, que se estende pelos 300 anos seguintes, mas do qual o colecionador conseguiu registros importantes – por exemplo, uma gravura de 1668 com navios holandeses no litoral de Recife, feita a partir de desenho de Frans Post. A coleção traz também obras produzidas por pessoas que foram testemunhas privilegiadas da história, como o italiano Edoardo de Martino, que presenciou a Guerra do Paraguai a bordo de um navio brasileiro. Ele deixou como legado diversos registros de batalha – uma espécie de fotojornalismo a lápis – cujos esboços originais são preciosos. Outro tesouro de Stickel são 78 desenhos originais feitos por Von Martius, que percorreu o interior do Brasil entre 1817 e 1820, viajando de barco e em lombo de burro. Ele catalogou 22 700 espécies de planta, publicadas na monumental obra Flora Brasiliensis, e também retratou algumas cidades que encontrou pelo caminho. O livro é ilustrado com litografias feitas por artistas europeus a partir de desenhos originais como os obtidos por Stickel, que são o registro feito pelo próprio Von Martius e acabam sendo mais vivos e ricos em detalhes do que as imagens publicadas no livro.
O caráter instantâneo destaca-se na coleção de Stickel, de uma forma geral. Boa parte das obras são desenhos e aquarelas produzidas em campo. Nesse sentido, o conjunto complementa e se afina com o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, que tem a coleção de Marc Ferrez, composta de 6 000 imagens.
“Os desenhos e pinturas mostram o Brasil até o século XIX. As fotos dão continuidade a esse registro daí em diante”, diz o superintendente executivo do instituto, Antonio Fernando De Franceschi. A imagem principal que ilustra esta reportagem mostra justamente a confluência desses dois formatos. Trata-se de uma litografia colorida com aquarela e lápis de cor, feita a partir de uma imagem do Rio de Janeiro captada por daguerreótipo, provavelmente na metade do século XIX. O autor é o francês Eugène Cicéri, considerado um dos maiores litógrafos do período. Na época, embora já existisse a fotografia, sua transposição para o papel continuava sendo feita em gravura, que permitia a reprodução em tamanho maior e podia ser colorida a mão. É um trabalho que sintetiza o valor dessa coleção impressionante e reveladora de aspectos pouco conhecidos da paisagem, da história e da vida cotidiana do Brasil.
:: Marcelo Bortoloti – Revista Veja

é isso, por fernando stickel [ 19:47 ]
30 de julho de 2008

tiet.jpg
Morei nesta vila da Al. Tietê por nove meses em 1985/86, hóspede da minha amiga Simone Raskin.
Tinha acabado de voltar de um ano e três meses sabáticos em New York, não tinha onde morar e estava procurando um lugar.
A Simone pouco ficava em casa, morando a maior parte do tempo em Parati, e o filho dela David Helman morava na França com o pai, portanto a casa estava quase que 100% só para mim, com uma empregada maravilhosa!
Naquela época não havia portão na vila, aliás não havia nem um milésimo dos problemas de segurança que enfrentamos hoje em São Paulo.
Sou eternamente agradecido à Simone por este período.

Pouco a pouco vou registrando todos os endereços onde já morei:

R. Henrique Martins – onde nasci
R. dos Franceses
R. Martiniano de Carvalho
R. Hans Nobiling – Ed. Hugo Eduardo
R. Hans Nobiling – Ed. Jaguar
R. Tucumã
R. Sampaio Vidal
R. Pinheiros
R. Bela Cintra 2234 Casa 3
165 West St. NYC
23 Clinton St. Ap. 4A 10002 NYC
11 West 18 St. Ap. 5W 10011 NYC
Al. Tietê
R. Ribeirão Claro
R. Tabapuã
R. Bela Cintra 2234 Casa 4
R. Ribeirão Claro (após reforma)
R. Casa do Ator
R. Nova Cidade – meu estúdio.
Av. Lavandisca – onde moro.

é isso, por fernando stickel [ 21:40 ]
6 de abril de 2008

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No Esporte Clube Pinheiros no sábado de manhã, meu filho Arthur na esgrima e eu passeando pelo clube e lembrando da minha infância no paredão de tênis e na piscina.
Eu ia a pé da casa dos meus pais na R. dos Franceses até a Av. Paulista, pegava o ônibus até a esquina da R. Augusta, pegava o trólebus que descia até uma praça onde hoje seria mais ou menos o Pandoro, daí a pé até o Clube.

é isso, por fernando stickel [ 10:15 ]
30 de setembro de 2007

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Meu avô Arthur Stickel.
Lembro-me tão bem dele, em São Paulo sempre de terno e gravata, com um alfinete de pérola na gravata.
Quando ele vinha nos visitar na nossa casa na R. dos Franceses tomava sempre um uísque com gelo em copo baixo, daqueles bem pesados de cristal. Na hora de despedir era a barba picando no meu rosto de criança e o suave aroma do uísque. Lembranças indeléveis.

é isso, por fernando stickel [ 12:34 ]

carta.jpg
Encontrei esta carta de 1953 do meu avô Arthur Stickel para o meu pai. Me impressionou a beleza da letra e a engraçada menção ao “der Japaner von der Rua dos Francezes”, referindo-se ao “Seu Paulo”, nome brasileiro adotado por Hiroshi Okumura, jardineiro japonês que trabalhou por mais de quarenta anos na casa da família na Rua dos Franceses, na Bela Vista.

é isso, por fernando stickel [ 10:22 ]
1 de junho de 2007

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Três anos e meio se passaram, meu pai não está mais aqui, minha mãe não mora mais na casa da R. dos Franceses, e meu filho não é mais criança.

Já estamos no meio do ano.

é o final da tarde

sexta-feira.

é isso, por fernando stickel [ 17:32 ]
19 de janeiro de 2007


Chegou a hora de entrar no “porão escuro” da casa dos meus pais na R. dos Franceses, esvaziá-lo e exorcizar definitivamente alguns dos meus medos infantis.
Este porão não era esvaziado desde 1915, quado meu avô comprou a casa, ou seja, quase um século!

é isso, por fernando stickel [ 12:17 ]
11 de dezembro de 2006

porao1.jpg
Hoje, dia 11 de dezembro, comemora-se o Dia do Engenheiro e do Arquiteto.
Eu comemorei derrubando umas paredes e recuperando o cenário original das minhas brincadeiras de criança. Esta porta leva ao “porão escuro” da casa dos meus pais na Rua dos Franceses, que muito me apavorou naquela época.

é isso, por fernando stickel [ 23:40 ]
1 de junho de 2006


Andei arrumando umas fotos antigas e me deparo com este retrato que fiz de minha mãe, Martha Diederichsen Stickel, por volta de 1960, no terraço da nossa casa na R. dos Franceses.

é isso, por fernando stickel [ 19:24 ]
16 de fevereiro de 2006


Tirei esta foto nos anos 60, em frenta à casa dos meus pais, na R. dos Franceses esquina com R. dos Belgas no Morro dos Ingleses, Bela Vista.
O prédio à direita é o Hospital Infantil Menino Jesus, com frente para a Rua dos Ingleses.
Nesta esquina, graças à total ausência de tráfego, dei muitos cavalos-de-pau com meu Volkswagen 68, aproveitando a garoa sobre os paralelepípedos.
Morei neste endereço até 1971, quando casei.

é isso, por fernando stickel [ 12:38 ]
1 de dezembro de 2005


Amanhã será o primeiro dia em que minha mãe não vai ter esta visão ao acordar, em muitas e muitas décadas.
Mudou-se da Rua dos Franceses para um apartamento, pouco menos de um ano após o falecimento do meu pai.
Achei incrível e surpreendente a determinação dela em fazer a mudança num prazo tão curto, com reforma do apartamento e tudo o mais.
Feliz mudança! Feliz casa nova!
A foto é do meu filho Antonio Stickel.

é isso, por fernando stickel [ 19:34 ]
28 de novembro de 2005


Minha mãe está prestes a se mudar desta casa na R. dos Franceses, onde ela nasceu e eu morei até casar e sair de casa em 1971.
A foto é do meu filho Antonio.

é isso, por fernando stickel [ 18:06 ]
18 de maio de 2005

Sonhei que estava no hall de escadas da casa dos meus pais na R. dos Franceses com o Dudi e o meu pai.
Dudi, de costas para a porta da sala de jantar, olhou para mim, que vestia uma camisa vermelha e disse:
- Puxa, você envelheceu com esta camisa vermelha.
Meu pai, em perfeita saúde, com sua barriguinha de anos atrás, examinava um quadro encostado à parede e pensava em voz alta: Preciso fazer umas observações sobre este pintor…

é isso, por fernando stickel [ 10:09 ]
aqui no aqui tem coisa encontram-se

coisas, coisas, coisas

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