
O céu de Paris, visto da igreja de Sacre Coeur. Ao fundo à direita a Tour Montparnasse, que muitos desejariam ver implodida.

Arthur comemorando seu aniversário de 15 anos no Restaurant Georges, no último andar do Centre Pompidou em Paris.
O plano era apresentar a ele a gloriosa Tour Eiffel em sua esfuziante iluminação, porém o mau tempo a encobriu quase que por completo…
Desta vez paguei a conta, e não fui reconhecido…

No verão de 1985, após visitar Nice, Cap D’Antibes e Cannes, voltei a Paris e por sugestão de um amigo fomos em um dia de calor escaldante à Piscine Deligny.
Ancorada às margens do Sena, a piscina flutuante era um oásis de civilidade. Você pagava a entrada, recebia a chave de um cubículo para se trocar, e tinha acesso à piscina pública com água corrente, que jorrava permanentemente de um enorme cano.
Famílias e crianças conviviam harmoniosamente com toda a sorte de figuras exóticas em sungas e biquinis mínimos.
Criada em 1785, ao lado da Pont de la Concorde, ela afundou em 1993.
Foi a primeira e última vez que frequentei uma piscina pública.

Na Retromobile em Paris, Arthur e a Norton Manx 500, o epíteto da motocicleta de competição dos anos 50 e 60.

Taí um brinquedo que eu gostaria de ter, exposto nas vitrines do Louvre.
Trata-se de uma coleção de sólidos para ser usada em aulas de matemática/geometria, executada em cristal.
Com certeza um artista que adoro, Joseph Cornell buscou inspiração neste tipo de objeto.

Dentro do Louvre, a sala de jantar dos Luises.
Uma celebração ao luxo, à pompa e aos prazeres da mesa.

No Museu do Louvre em Paris, uma escultura para nos lembrar da transitoriedade da vida.

Em um ponto de ônibus de Paris:
O caminho mais curto para ir de um ponto ao outro não é a linha reta, e sim o sonho.
Provérbio Mali

Todo mundo que visita museus conhece a síndrome do cansaço profundo.
Principalmente nos museus maiores, como é o caso do Centre Pompidou, tem uma hora em que a chave geral cai e você PRECISA sentar e descansar.
Por sorte encontramos este canto, todo branco, guarnecido de deliciosas poltronas e com a vista de “Les toits de Paris”

Em qualquer restaurante em Paris você pode pedir ostras, fantásticas! Estas foram devoradas na clássica brasserie La Coupole.
Em alguns existe cardápio específico, com diversos tipos e tamanhos, são numeradas, Nº1, Nº2, etc…

Arthur nos subterrâneos do Pantheon em Paris, na companhia de, por exemplo, Voltaire, René Descartes e Alexandre Dumas, como que saboreando a vitória que obteria uma semana depois, ao saber que entrou no Colégio Santa Cruz.
Por imenso azar, o Pêndulo de Foucault, em exposição permanente no saguão principal estava desativado para reforma.

Dá-lhe garoto!!!!!
Arthur no Café Raspail em Paris, a poucos metros do nosso hotel, onde tomávamos o petit-déjeuner.
A poucas horas de iniciar o colegial no Colégio Vera Cruz, o Arthur recebeu hoje uma notícia bombástica, que o deixou alucinado.
O Colégio Santa Cruz, no qual ele queria entrar como primeira opção, e acabou ficando em 20º na fila de espera o chamou hoje para a matrícula.
Portanto ele entrou nas quatro escolas nas quais prestou exame, e acabou por escolher aquela que queria.
Por coincidência eu sou ex-aluno, assim como meu irmão, primos, e os tios do lado da mãe.
Eu já estava orgulhosíssimo do desempenho dele até agora, mas esta notícia realmente foi a cereja no bolo!

Arthur na exposição de Christian Boltanski no Grand Palais em Paris, Monumenta 2010.

O Arthur se maravilhou com os “Grandes Espaços” de Paris, ao entrar no Trocadero e dar de frente com a Tour Eiffel, ao entrar na pirâmide do Louvre, no Jardin des Tuilleries, no Grand Palais, enfim nos locais onde a civilização francesa marcou a cidade com generosidade e inteligência urbanística e arquitetônica.

Chegamos a Paris no domingo de manhã, dia do aniversário de 15 anos do Arthur, o tempo indicava alguma possibilidade de estiagem e imediatamente decidi levá-lo ao Château de Versailles.

É impossível não se deslumbrar com a beleza, o poderio, a elegânca e o porte deste Château.

Vocês vão me desculpar, mas vou ter que fazer esta observação logo na chegada:
A porta de entrada da superpotência do nosso grande líder está mais para porteira ou portinhola.
É impossível chegar de viagem vindo de Paris, tendo saido do aeroporto Charles de Gaulle, no mínimo duas vezes maior que o nosso, e duzentas vezes mais civilizado, e achar normal o caos que se encontra em Guarulhos.
Nosso vôo chegou pontualmente às 8:00h, e já no corredor de saída começa a fila para o exame dos passaportes, tudo desorganizado e improvisado, existem poucas cabines para muitos passageiros, os atendentes não são uniformizados, não olham na sua cara e nem bom dia dão, e quando você cai na sala de espera de bagagem aí o caos é total, faltam carrinhos de bagagem, na hora da saída um fiscal da receita federal com ares de “autoridade” manda aos berros ninguém parar na fila.
Em outras palavras,
Bienvenue au enfer.
Wellcome to hell.
Willkommen zur Hoelle.
Benvindo ao inferno.
Ah sim!
No estacionamento vale tudo, tem carro parado na grama, em cima da guia, os carrinhos de bagagem se amontoam por todos os lados… e logo em seguida, para quem vinha com imagens do Rio Sena, você encontra o Tietê, que por sorte hoje se conformava em se manter em seu próprio leito.
É engraçado que todo mundo que viaja de avião conhece este caos, lê sobre a superpotência apregoada por Lula, talvez se vanglorie da copa e das olimpíadas no Brasil, mas será que não vê que assim não pode dar certo??!!
Estamos falando apenas do maior aeroporto da maior cidade do maior país da América do Sul.
Andar, andar, andar, na rua, nos museus, no metrô, no salão de carros antigos, de manhã, de tarde, à noite, com chuva e sem chuva, com quase todos os dias cinzentos, ainda assim Paris é uma festa!
Escrevo no aeroporto, aguardando embarque para voltar à terrinha.
No ano passado, quando passei com o Arthur a semana de seu aniversário em New York, por conta do brutal choque térmico (-15 graus) o Arthur ficou gripado.
Desta vez vim preparado com antibiótico, etc…
No entanto o melhor remédio para quem anda o dia inteiro no frio é se alimentar bem e dormir MUITO!
Enquanto escrevo Arthur aproveita suas 13 horas de sono, com saúde perfeita!
Paris mesmo cinza e muito frio, como hoje, é uma delícia.
Arthur está adorando, ontem Versailles, hoje Louvre.
Ontem jantamos na Brasserie Lipp, e hoje será no Georges, com vista para a Tour Eiffel.

Paris, 2004

…e por falar em tempo e relógios, a minha leitora Ana Carmen me envia:
“…essa foto foi tirada de dentro do café do Museu d’Orsay e ao longe, Sacre Coeur. Foi tirada pelo meu marido, Charles, agora em julho e eu gosto muito dela.
Aproveito para parabenizá-lo pelo blog. Leio sempre.
Um abraço,
Ana Carmen Caldas & Charles Caldas”
Malas prontas, conta do hotel paga, banho e café tomados, pronto para a maratona da volta.
Ontem à noite os últimos eventos da viagem: Jantar na casa do Onorio Mansutti, presidente da Fundação Brasilea e em seguida concerto de música contemporânea nas próprias instalações da Brasilea, organizado por um grupo chamado “Les Museiques” que se dedica a organizar temporadas de concertos em museus.
Já estou em Paris, no Charles de Gaulle, a guarda temporária de bagagem só aceita um mínimo de 6 horas, tenho 5 de espera até a saída do vôo para SP, portanto não vou conseguir fazer um passeio em Paris com um domingo glorioso de sol e temperatura amena.
Paciência, vou escarafunchar o duty free…

Consta, que certa noite, muitos anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de Mouton Rothschild, safra de 1928.
O sommelier, em vez de trazer a garrafa, para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar. O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir os aromas, fecha os olhos e cheira o vinho.
Inesperadamente, franze a testa e com expressão muito irritada pousa o copo na mesa, comentando ríspidamente:
-Isso aqui não é um Mouton de 1928!
O sommelier assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é! Estabelece-se uma discussão e, rápidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chef de cuisine e o gerente do hotel que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928.
De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.
- O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente, modestamente – e fui eu que fiz esse vinho!
Consternação geral.
O sommelier, então de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:
- Desculpe, mas não consegui suportar a idéia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. Afinal o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma, e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião,o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.
Rothschild então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o sommelier pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:
- Quando voltar para casa esta noite, peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha duas regiões muito próximas do corpo dela e faça um teste de olfato. Você perceberá a diferença que pode haver numa pequeníssima diferença geográfica!

Vejam o filme. Se não for pela Ferrari 275 GTB, vale por Paris.
On an August morning in 1978, French filmmaker Claude Lelouch mounted a gyro-stabilized camera to the bumper of a Ferrari 275 GTB and had a friend, a professional Formula 1 racer, drive at breakneck speed through the heart of Paris. The film was limited for technical reasons to 10 minutes; the course was from Porte Dauphine, through the Louvre, to the Basilica of Sacre Coeur.
No streets were closed, for Lelouch was unable to obtain a permit.
The driver completed the course in about 9 minutes, reaching nearly 140 MPH in some stretches.
The footage reveals him running real red lights, nearly hitting real pedestrians, and driving the wrong way up real one-way streets.
Upon showing the film in public for the first time, Lelouch was arrested. He has never revealed the identity of the driver, and the film went underground until a DVD release a few years ago.
Une bonne soeur se promène dans un quartier malfamé de Paris où la prostitution et le crime règne, quand soudain elle aperçoit une jeune pute avec un T-shirt où il est écrit “JESUS”, la bonne soeur va la voir et lui dit:
-Ma fille, il est rare de nos temps de voir des jeunes surtout dans votre situation croire encore en notre Sauveur, je vous félicite de prêcher ainsi la bonne parole…
La fille avec le T-shirt l’interrompt et lui dit:
-Qu’est c’tu veux la vieille? j’comprends rien à c’que tu m’racontes…
-Mais, mais votre T-shirt avec le nom du Christ, “JESUS” ?
-Quoi ?
Une amie de la pute s’approche et lui dit:
-J’t'avais bien dit qu’ça s’écrivait pas comme ça “je suce”.
(eu estudei francês na escola, é bom voltar a treinar um pouco…)

Por falar em grandes espaços, o Grande Arche de la Défense em Paris é um prédio tão grande, mas tão imensamente grande, que cansa só de olhar.
Tem certas coisas na tal da arquitetura moderna que precisam ser melhor calibradas. Esta é uma delas. Fica bem na foto, não na realidade.

Tenho pânico de museus muito grandes, são muito cheios e cansativos. Então desta vez passamos só pelo lado de fora do Louvre.

Sábado em Paris, Dia do Trabalho no Jardin de Luxembourg. Malas prontas, faltam poucas horas para pegar o avião, passeio final, paz total.

Vitrine em Paris. As memórias da viagem vão ficando mais fracas, e a realidade paulistana se impõe. Ainda bem que logo cedo dou boas gargalhadas com Salomão Schwartzmann na FM Cultura, pois só rindo pra aguentar a realidade.

Auto-retrato na vitrine, em Paris.
Durante a viagem eu lia os jornais locais, ficava ao par dos maiores fatos internacionais e do país, levantava da mesa do café e a partir daí o dia era só de alegrias, curiosidade, descobrimento, arte e muito, muito andar pelas ruas e praças, parar em um café ou um bar para uma bela cerveja ou um copo de vinho. Talvez um comentário ou outro com algum chofer de taxi mais falador, sobre a realidade dos fatos.
Em Lisboa um taxista me declinou sua teoria sobre a necessidade dos “Bons Tiranos”, dizendo que Saddam Hussein, no final das contas era um bom e necessário tirano, pois fornecia a seu povo educação e saúde, e mantinha o país unificado…
De volta, realizo com pesar a encrenca em que estamos metidos, a nível nacional e internacional, o dia é de sol, o céu azul, mas algo de pesado paira no ar. Ler sobre o imobilismo do governo Lula, MST, SAMU em Ribeirão Preto, salário mínimo, ai, ai, ai.
Desculpem-me, voltar é fogo!
Domingo, 2 Maio, 4:45 da manhã o Boeing da Varig pousa em Guarulhos após 11:30 horas de um vôo impecável.
A saída de Paris foi lamentável. O pior dos terminais é o de número um no Charles De Gaulle, que foi inaugurado em 1974, e mostra por todos os cantos os 30 anos de pouca manutenção. Na sala de espera, cheiro de mijo, os banheiros então…
A recepção da Varig, um caos, empresas falidas do mundo todo amontoadas em balcões divididos, por fitas pegajosas, nossas reservas de assentos perdidas, após 4 meses de confirmações e reconfirmações, 40 minutos de pé, no pé do supervisor para resolver a encrenca, enfim, o caos em solo francês como prenuncio do nosso bom e velho conhecido caos brasileiro.
Em Guarulhos, boa surpresa, tudo funcionou muito bem e a escuridão da madrugada evitou que fossemos agredidos pela feiura das marginais.
Agora são 9 horas, banho tomado, malas desfeitas, esperando a hora de ligar para os filhos, mãe, pai, afinal é domingo de manhã e ninguém tem culpa que estamos de pé desde as 4 da matina. Bom dia, bom domingo!

Vou contar para vocês:
Fomos hoje ao Restaurant Georges, no topo do Beaubourg, um endereco fashion, com uma vista espetacular, a Tour Eiffel de um lado, Notre Dame de Paris do outro.
Nao é para se comer bem, já sabiamos, mas o clima, as modettes, a arquitetura e a vista valem demais.
Ao tentar pagar a conta, meia noite e tanto, ninguém, os garçons sumiram, tentamos inúmeras vezes, nada, levantamo-nos da mesa procurando o caixa, rien, nada, ninguém, então simplesmente nos dirigimos para a saida, com a maior cara de pau, com um sorriso a explodir nos lábios, porque eles não imaginam que alguém da nossa idade vá simplesmente levantar e se mandar.
Assim foi, descemos as intermináveis escadas rolantes esperando a qualquer instante os alarmes e toda a gendarmerie em nosso encalço, e nada, rien, ninguém.
Já na calçada, com uma chuva fina se iniciando, tomamos um taxi e, chegando no hotel pedi um Armagnac que veio de graça porque era o final da garrafa, acendi meu charuto e vim, no maior silêncio do planeta traçar estas linhas.
Ah, sim, a conta foi de 135 Euros, que pagarei prontamente, assim que alguém aparecer para me cobrar.
Bonne nuit!

