
Anisio Campos e eu em 1988, por ocasião da realização do curso que criamos, a 1ª Oficina de Design de Automóvel, no estúdio da R. Ribeirão Claro, que já não existe mais.

Sobre a mesa do estúdio, o recomeço.

O estúdio da R. Nova Cidade a pleno vapor em 2003, no meu curso de desenho de observação, as mesas encomendei ao marceneiro para a realização da 1ª Oficina de Design de Automóvel, em 1988. Continuam firmes e fortes prestando bons serviços.

O meu estúdio agora tem jardim.
Até 2006 lá dei aulas de desenho de observação, que interrompi por conta das exigências do meu trabalho com a Fundação Stickel.
Agora, pouco a pouco retorno ao estúdio, organizo as coisas, me livro do desnecessário, reinicio tímidamente um trabalho de ARTE.
O retorno não é fácil, dá um cansaço brutal, é como um motor enferrujado que não se movimenta na primeira tentativa, aí você insiste, tenta novamente, a coisa anda um pouquinho, e assim vai…
Em uma década tudo pode mudar. (em vinte minutos também…)
Por volta de 1980-81, tive claramente uma visão e um desejo:
Quero ser artista plástico profissional.
Logo em seguida, colocando o desejo em prática, mudei toda a minha vida.? Separei da Iris, com quem estava casado, mudei de casa e saí da sociedade que tinha com Lelé Chamma na und, tudo no mesmo ano.

O período que se seguiu até 1989 foi brilhante, exigente, cheio de desafios e novidades, fiz quatro exposições individuais, participei de uma dezena de coletivas, ganhei prêmios e morei em New York.
Na volta da viagem a NYC montei curso de desenho de observação no meu estúdio na Vila Olímpia, que acabou por ser extremamente bem sucedido, em 1989 cheguei a ter 60 alunos, meu sustento não oferecia maiores problemas.
Em Março 1990 o baque do Plano Collor fez com que eu recomeçasse as aulas com apenas dois alunos, o ano foi terrível, as artes em geral sofreram mais que a média, e o início de 1991 não trazia boas perspectivas.
Foi quando minhas irmãs vieram conversar comigo dizendo que minha mãe estava muito preocupada, pois o meu pai Erico estava manifestando a ela preocupações com os negócios, coisa que ele, homem da velha guarda, nunca havia feito antes. De fato, o Plano Collor havia virado de cabeça para baixo coisas “imutáveis”, acabou quebrando equilíbrios de décadas, e foi isto que tirou o sono do meu pai.
Novamente casado eu precisava de um salário, e meu pai de ajuda, acertamos um pro-labore para que eu trabalhasse na organização dos negócios da família, básicamente a solução de encrencas com imóveis, desde inquilinos inadimplentes, multas diversas, muros caídos, calçadas destruidas a imóveis deteriorados e desocupados, brigas com a Prefeitura por conta de IPTU, etc…

A relação de trabalho com meu pai não foi fácil, mesmo porque a minha entrada foi mais por pressão da família do que por decisão dele, engoli muitos sapos, batemos boca, mas uma das piores crises veio quando eu, tomado de furor organizatório, aproveitei um período em que meu pai estava fora do escritório, viajando, e fiz um levantamento de todas as suas pendências, anotações que ele tinha o hábito de fazer em cadernos em branco, fichários, folhas soltas, etc… e a pilha destes papéis dava quase um metro de altura!

Este samovar esteve durante décadas na sala de jantar da casa dos meus pais na R. dos Franceses.
Agora repousa no meu estúdio.

No meu estúdio, um acidente com a câmera deu nisso.
Interessante, né mesmo?

Pouco a pouco meu estúdio volta à vida, graças à sabedoria arquitetônica da minha amada Sandra.
Não fosse a insistência dela em limpar a área, exigindo que eu me livrasse de toneladas de coisas inservíveis, não teríamos chegado a esta bela e agradável situação.
É preciso reinventar, reciclar, descarregar, aliviar, para poder prosseguir e crescer.
Neste espaço pretendo implantar um “entreposto” de artes, visando geração de recursos para a Fundação Stickel, através de vendas diretas, captação de obras através de doações e leilões, edição de gravuras digitais, o formato ainda não está bem definido, mas é por aí.

Ao final da tarde os aviões passam, o azul do céu se adensa e a lua aparece, enquanto curtimos os nove metros quadrados do “jardim” do meu estúdio na R. Nova Cidade, recém reformado pela Sandra.

Esta é a visão que tenho hoje da janela do meu estúdio para a R. Nova Cidade, no quarteirão entre a R. Quatá e R. Casa do Ator, na Vila Olímpia.
A árvore “virtual” da esquerda existe apenas na minha memória, foi assassinada, sem direito a defesa, em Outubro de 2007.
A assassina limpou tão bem seu crime, que hoje em sua calçada não há mais o menor indício de que ali havia uma linda e saudável árvore.

No meu estúdio volta a funcionar o tocadiscos (é assim nanova ortografia, tudojunto?!) Thorens dos anos setenta.
Acho que perdi o bonde dos CD e DVD, e agora volto a me sentir à vontade com as minhas bolachas…
Ao final da tarde, John Coltrane.

Do tempo das minhas aulas de desenho de observação guardo objetos diversos, que serviam de modelo para os alunos desenharem.
Alguns, como este caminhão Schuco, estão comigo no estúdio desde sempre…

Ontem ao final da tarde, tomei um “caubói” no meu antigo estúdio, comemorando o final da reforma do espaço para assumir a nova função de reserva técnica da coleçao de arte da Fundação Stickel.
Com isso voltei à minha querida Vila Olímpia, tomei lanche na padaria da esquina, reencontrei o português, o chapeiro, a menina do caixa, em seguida comprei papel toalha no mercadinho e fiz uma fézinha na MegaSena, tudo em um único quarteirão da R. Nova Cidade.

Em Fevereiro 2003, esta era a cena no meu estúdio, em plena aula de desenho de observação com modelo.
Hoje meu estúdio se transformou em um depósito…

Meu amigo e fotógrafo Arnaldo Pappalardo me mostrou o belíssimo trabalho que vai expor na Pinacoteca no próximo dia 23 Agosto.
Nós nos conhecemos desde os anos setenta, e ele inclusive fotografou meu estúdio e os trabalhos da minha primeira exposição individual em 1983.

A edição Nº1 da Elle Brasil acaba de completar 20 anos!
E eu estava lá, em artigo sobre a minha casa/estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia.
Em 1988 Anisio Campos e eu promovemos no meu estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, a
1ª Oficina de Design de Automóvel.
Durante um ano Anisio e eu nos reunimos periódicamente, estruturando o curso e batalhando patrocínios, finalmente selecionamos 14 rapazes, que aprenderam em seis semanas, desde a história do design automobilístico até fazer a maquete (mock-up) dos projetos de final de curso.
Passamos pelas técnicas construtivas, dimensionamento, ergonomia, motores, aerodinâmica, desenho de observação, arte, etc… Obtivemos apoio da Pirelli e FIESP.
O resultado foi excelente, refizemos o curso em Brasília em 1990 e Fortaleza em 1992.

Da esq. para a direita, Anisio, eu e Tito Nakao, agachado, André Cintra.

Na minha casa/estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, início de 1990, em pleno Plano Collor, ao lado de pinturas que mostrei no fim do ano na Galeria Paulo Figueiredo e na aula de desenho de observação com modelo vivo. (apenas dois alunos…)
No ano anterior, 1989, cheguei a ter quatro turmas de 15 alunos e promovi exposição dos trabalhos de 46 alunos na Galeria Montesanti Roesler. (atual Nara Roesler)
O Plano Collor modificou para sempre o cenário das aulas e das artes, nunca mais houve aquela alegria e descontração.
O ano de 1990 se arrastou, com pouquíssimos alunos, perspectivas rigorosamente iguais a zero no mundo das artes, e mesmo assim eu insisti em fazer a exposição. Acabei vendendo uma pintura…

Mais um capítulo da tragédia “BRASILEIRO ODEIA ÁRVORE”
Ontem vi de longe o caminhão da Prefeitura podando uma árvore na R. Nova Cidade, em frente ao meu estúdio. Não me preocupei, pois é época de poda.
Hoje cedo descubro que a poda foi radical, a árvore frondosa, ereta, sem cupins não existe mais.
Fui me informar e logo encontro uma senhora no portão da casa em frente. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:
-Bom dia, a senhora sabe por que cortaram esta árvore?
-Porque estava com perigo de cair, as raízes entraram na minha casa.
-Foi a senhora que pediu?
-Foi a minha filha.
-Mas por que cortar, não tem cupim. (apontei o toco cortado, que ainda estava ali)
-Não sei, eu só pedi a poda, eles que disseram que tinha perigo.
-Que pecado!
-Pecado pra você que não varre as folhas, e as minhas costas?! Você tem árvore na frente da sua casa?
-Tenho, e já plantei pelo menos umas 10 árvores só aqui na Vila Olímpia.
-Bom proveito.
E foi pra dentro de casa, brava.
O inacreditável é que a Prefeitura atenda sumáriamente o pedido de uma velha rabugenta, que faz o pedido apenas por não gostar de varrer as folhas. Junto com a árvore, é óbvio, foi-se a casa do bem-te-vi.
Infelizmente estou cansado de ver esta cena lamentável.

Há quatro anos atrás eu mergulhava com minha câmera dentro de um universo de objetos que coleciono. Os objetos continuam lá no meu estúdio, a câmera à mão, mas tudo mudou.
Me surpreendo com a rapidez e o amplo espectro das mudanças, desde que o trabalho na Fundação Stickel tomou o lugar principal na minha vida.
Pensando bem, o falecimento de meu pai em 2004 também acabou por modificar o rumo da minha vida.

Meu estúdio na versão atual, com uma mini-exposição da série de fotos “Vila Olímpia”.
É tão bom quando se consegue fazer limpeza “de verdade”, nesta joguei fora coisas de 10, ou mesmo 20 anos atrás.
Que alívio!

Esta é uma colagem virtual, ela só existirá em forma digital. O original de papel não existe mais, e nem tive que me preocupar com a cola e a limpeza…
Descobri esta maneira de fazer arte arrumando o estúdio, não é nenhuma grande novidade mas é interessante de fazer.

Andei dando umas arrumadas no meu estúdio, limpando, jogando lixo fora, reinventando-o após o encerramento do meu curso de desenho no segundo semestre do ano passado.

Preparação da minha primeira exposição individual de desenhos na extinta Galeria Paulo Figueiredo, na Rua Mello Alves.
Estou na minha casa/estúdio, em 1983, na esquina da R. Pinheiros com a Av. Pedroso de Morais, um apartamento antigo, amplo, de dois quartos com uma bela sala.
A foto é do Arnaldo Pappalardo.

Em 1989 promovi exposição de 46 alunos do meu Curso de Desenho de Observação na Galeria Montesanti-Roesler (hoje Nara Roesler). Finalmente encontrei, nas minhas arrumações esta foto do grupo tirada no meu estúdio da R. Ribeirão Claro, que foi usada na divulgação e no convite.

Resolvi testar o “timer” da câmera hoje à tarde no meu estúdio, durante a aula de desenho. É apertar o botão, correr pro sofá e fazer uma cara de quem está ali há horas…
Enquanto isso a Renata capricha seu auto-retrato.

Hoje cedo, no meu estúdio.

Visita da turma do primeiro semestre do curso de Design de Interiores da UNICID ao meu estúdio, hoje de manhã, com o meu amigo e Professor Plinio de Toledo Piza Fº.

Aula de desenho de observação, no meu estúdio.

No meu estúdio.

9 Março, 20:30, neste cenário montado no meu estúdio na Vila Olímpia, Sandra e eu fizemos agradável jantar em homenagem ao João Rendeiro. A preparação foi minuciosa, exaustiva, e o resultado, modéstia à parte, excelente.





