1 de março de 2010

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Em Maio de 2006, José Mindlin esteve na exposição das minhas fotografias “Vila Olímpia” na Pinacoteca.

Morre em São Paulo o empresário e bibliófilo José Mindlin

Hoje, José Mindlin, confortavelmente sentado em uma poltrona de espumas brancas estica sua mão e pega um livro na estante branca.
A cena se passa no céu, para onde ele viajou. Com certeza fez boa viagem, levou consigo bagagem imensa, porém de reduzido volume, todos os livros que leu, toda a contribuição que fez para a humanidade com sua vida digna, inteligente e culta, vivida sempre com alegria.
Durante toda uma vida escutei meu pai, Erico Stickel, louvar este que ele, também bibliófilo, considerava o “Rei” dos bibliófilos.

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Fabiane Leite, de O Estado de S. Paulo

Foi assim que Mindlin viveu grande parte de sua vida, no meio dos livros.

é isso, por fernando stickel [ 9:03 ]
20 de novembro de 2009

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Na minha incansável missão de adolescente em busca de dois nirvanas, as máquinas e as mulheres (muito mais bem sucedido nas máquinas…), as raras oportunidades de “pilotar” estavam sempre conectadas às férias ou aos fins de semana, quando os pais, tios ou amigos, após muita insistência da minha parte liberavam as “máquinas” para teste.
A simples posse da chave do carro, que eu pegava e saia correndo antes que o simpático(a) se arrependesse já provocava arrepios de antecipação, e eu me lançava à aventura entre nervoso e excitado, quase sempre acompanhado do meu amigo Klaus Foditsch.

No “Sítio das Jabuticabeiras” que a família tinha em Interlagos, pilotei o Gordini branco da minha tia Joaninha incontáveis quilômetros na estradinha de terra que ligava o nosso sítio com o vizinho “Sítio das Figueiras”, hoje a sede campestre do SESC.
Até hoje a Joaninha (84) continua minha amigona…

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Toda esta área era de sítios e pequenas fazendas, meu pai chegou a ter algumas vacas leiteiras da raça suiça, e se fazia manteiga e queijo lá mesmo, eu adorava mexer nas máquinas!
A “pista” de dois a três km era entre o portão dos sítios- 1, a nossa casa – 2 e a casa do meu tio Ernesto – 3

Quando a família vendeu os sítios, nos anos setenta, meus pais Erico e Martha Stickel doaram para a organização Aldeias Infantis SOS Brasil o terreno marcado em verde, participando ativamente da implantação do projeto, inaugurado em 1980.

é isso, por fernando stickel [ 15:41 ]
13 de agosto de 2009

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Assinei em 14/4/2008 o termo de parceria entre a Fundação Stickel e a Secretaria Municipal de Ação e Desenvolvimento Social – SMADS, para execução do Programa Ação Família – PAF na Vila Brasilândia.

Contratamos funcionários, os treinamos, operaramos o PAF durante cerca de um ano, e finalmente decidi encerrar esta parceria, cujo distrato foi assinado hoje. Por que?
1- Porque é muito difícil trabalhar com o poder público.
2- A burrocracia é infernal.
3- O Programa Ação Família repassa verbas municipais, estaduais e federais, e neste clima de caça às bruxas que estamos vivendo, CPI das ONGs, etc… o risco que você corre é muito grande.
4- A Fundação Stickel estava pagando para trabalhar, pois a diferença entre nossos custos e a verba repassada pelo Programa era de cerca de R$100.000/ano.
5- Meu pai Erico, na época em que geria a Fundação, já havia deixado registrado em ata que não queria trabalhar com verbas públicas.

A experiência deixou-nos mais conectados com a realidade do bairro, aprendemos muito, e acabamos por manter, além de um excelente relacionamento com a SMADS e o CRAS, atendimento parcial às famílias, por nossa conta, em um novo trabalho que estamos chamando de “Projeto Mulheres de Talento Avançado”.

Na foto as responsáveis pelo Centro de Referência de Assistência Social – CRAS – Freguesia do Ó, da esq. para a direita, Sandra Faleiros, Mariangela Sant’Anna da Silva e eu, em frente ao CRAS.

é isso, por fernando stickel [ 17:56 ]
15 de julho de 2009

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Meu pai Erico com minha irmã Sylvia e eu, cerca de 1952.

é isso, por fernando stickel [ 16:28 ]
11 de julho de 2009

Em uma década tudo pode mudar. (em vinte minutos também…)

Por volta de 1980-81, tive claramente uma visão e um desejo: Quero ser artista plástico profissional.
Logo em seguida, colocando o desejo em prática, mudei toda a minha vida.
 Separei da Iris, com quem estava casado, mudei de casa e saí da sociedade que tinha com Lelé Chamma na und, tudo no mesmo ano.

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O período que se seguiu até 1989 foi brilhante, exigente, cheio de desafios e novidades, fiz quatro exposições individuais, participei de uma dezena de coletivas, ganhei prêmios e morei em New York.
Na volta da viagem a NYC montei curso de desenho de observação no meu estúdio na Vila Olímpia, que acabou por ser extremamente bem sucedido, em 1989 cheguei a ter 60 alunos, meu sustento não oferecia maiores problemas.
Em Março 1990 o baque do Plano Collor fez com que eu recomeçasse as aulas com apenas dois alunos, o ano foi terrível, as artes em geral sofreram mais que a média, e o início de 1991 não trazia boas perspectivas.

Foi quando minhas irmãs vieram conversar comigo dizendo que minha mãe estava muito preocupada, pois o meu pai Erico estava manifestando a ela preocupações com os negócios, coisa que ele, homem da velha guarda, nunca havia feito antes. De fato, o Plano Collor havia virado de cabeça para baixo coisas “imutáveis”, quebrou equilíbrios de décadas, e foi isto que tirou o sono do meu pai.

Novamente casado eu precisava de um salário, e meu pai de ajuda, acertamos um pro-labore para que eu trabalhasse na organização dos negócios da família, básicamente a solução de encrencas com imóveis, desde inquilinos inadimplentes, multas diversas, muros caídos, calçadas destruidas a imóveis deteriorados e desocupados.

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A relação de trabalho com meu pai não foi fácil, mesmo porque a minha entrada foi mais por pressão da família do que por decisão dele, engoli muitos sapos, batemos boca, mas uma das piores crises veio quando, tomado de furor organizatório, aproveitei um período em que meu pai estava fora do escritório, viajando, e fiz um levantamento de todas as suas pendências, anotações que ele tinha o hábito de fazer em cadernos em branco, fichários, folhas soltas, etc… e a pilha destes papéis dava quase um metro de altura!

é isso, por fernando stickel [ 11:58 ]
6 de junho de 2009

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Eu e meu pai, no quintal da R. dos Franceses, cerca de 1951/52.

é isso, por fernando stickel [ 16:26 ]
5 de junho de 2009

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Meu pai e minha irmã Sylvia, cerca de 1952, no quintal da R. dos Franceses.

é isso, por fernando stickel [ 8:15 ]
27 de maio de 2009

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Minha mãe mandou escanear slides antigos, e me entregou hoje um CD com cerca de 350 imagens dos anos 50 e 60.
O material é fantástico, inclusive pelo trabalho “artístico” que os fungos e a poeira fizeram neste meio século…
Na foto, meu pai, com trinta e poucos anos, por volta de 1952.

é isso, por fernando stickel [ 15:14 ]
18 de maio de 2009

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Onde estão as respostas?
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Foto de Tadeu Jungle, da sua série “foto de segunda” um projeto que se iniciou em maio de 2003.

Esta foto me lembrou muito o “rato de livros” Erico João Siriuba Stickel, meu pai.

é isso, por fernando stickel [ 10:16 ]
21 de abril de 2009

casa
Isto é o que sobrou da casa construida pelo meu pai e pelo meu tio, Luiz Dumont Villares, no topo da Pedra do Baú.
Quando eu escalei a pedra pela primeira vez, em 1956, dormi na casa.

é isso, por fernando stickel [ 11:44 ]
3 de abril de 2009

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Meu pai, fosse vivo, completaria hoje, 89 anos de idade.
A foto é de Fevereiro de 2003, uma das primeiras que tirei com câmera digital, a Sony Cyber-Shot DSC-F717.
Ela tinha 5.0 megapixel e lente Zeiss, utilizei-a até a última gota, e agora está emprestada para o meu amigo Anisio Campos, cuja filha Raquel casa no dia 12/4, um dia depois do casamento do meu filho Antonio.

é isso, por fernando stickel [ 11:28 ]
11 de fevereiro de 2009

Recebi em Novembro do ano passado um comentário em um post do Sr. Manuel Miguez, relatando seu contato com meu pai, Erico Stickel, e lamentando seu falecimento:

Conheci o Dr. Erico, o João e a sua secretária, era uma pessoa que era, por demais humilde, que era querido por todos que o conheciam e que para todos tinha sempre uma palavra amável. Lembro-me do Abaporu ao lado de sua mesa, lembro-me da alegria que me deu ao comprar-me uma máquina de escrever.
Sinto-me menor sabendo de sua “passagem”.

Perguntei a ele por e-mail que máquina de escrever era, e o Miguez me respondeu:

Meu caro:
Foi uma máquina de escrever Olivetti Linea 98, manual, que seu pai comprou e eu entreguei na casa em que eles moravam na Rua dos Franceses, sendo que fui recebido pelo “japonês” que já havia se aposentado e havia chorado pensando que deixaria o trabalho, que já não era mais querido na casa.
Creio que o escritório era na Rua São Francisco, mas, eu, atualmente, moro na Espanha, e, devido ao tempo passado (seriam 28 anos) não estou muito certo, sei que era na rua que vai diretamente à passarela que cruza a Praça da Bandeira.
O mais importante que eu quero lhe dizer é que, com o seu pai, e com os dois funcionários com que ele ficou, eu tinha uma guarida naqueles dias em que as nuvens negras passam pela sua vida, que ali sempre havia coisas bonitas pra se dizer, sempre me ensinava alguma coisa.
Eu NUNCA podia imaginar a sapiência, e o bom gosto, da escolha de seu pai, para ser, segundo me informaram “um dos maiores possuidores de arte brasiliana”.
O que posso lhe dizer é que sabedor que sou de seu trabalho na Vila Brasilândia, fico muito contente, porque a minha casa, em São Paulo, é em Itaberaba, e sei das dificuldades daquela gente.
Muito obrigado pela resposta.
Eu sei que seu natal nao deve ser muito alegre pela “coincidência”, o meu também (juro) será um dia pra se lembrar.
Obrigado
Miguez

é isso, por fernando stickel [ 12:01 ]

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A nova versão do IPhoto da Apple, que instalei ontem traz um recurso interessante, o “Faces” (Rostos) que identifica e cria pastas com os rostos de pessoas, você só precisa colocar o nome.
Foi assim que encontrei no meu atual arquivo de mais de 16.000 fotos, a do meu pai Erico João Siriuba Stickel no dia mais feliz de sua vida, aos 84 anos de idade.
Foi no lançamento de seu livro: Uma Pequena Biblioteca Particular / Subsídios para o estudo da iconografia no Brasil na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na segunda-feira 29/3/2004, nove meses antes de falecer.
Pequeno detalhe, a pesquisa e todo o trabalho para chegar ao livro levou mais de trinta anos!

é isso, por fernando stickel [ 8:39 ]
5 de novembro de 2008


Meu pai era muito ligado em genealogia, fazia parte de uma sociedade genealógica, e acabou por descobrir que este é o brazão da Família Stickel.
Nas arrumações dos documentos após seu falecimento minha mãe trouxe à luz este desenho, além de muitas fotos.
A origem do símbolo do nome alemão é um bastão, símbolo de poder do burgo-mestre, o “prefeito” das pequenas vilas medievais.
Ninguém da família jamais usou este símbolo, e hoje nem lareira eu tenho mais, para colocá-lo emoldurado em cima…

é isso, por fernando stickel [ 16:10 ]
26 de agosto de 2008

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Essa coisa de desenhar o próprio pai morrendo é complicada. Por um lado tem o seu impulso artístico irrefreável, a história mostra tantos e tantos artistas retratando os momentos finais de seus queridos, por outro lado existe um pudor natural, uma espécie de respeito, um freio.
Este desenho foi muito rápido, pequeno, cinco dias antes do meu pai falecer. Ele já estava no hospital, completamente dopado.
Dez dias antes fiz este desenho, foi mais tranquilo, me detive mais tempo.

é isso, por fernando stickel [ 12:12 ]
22 de agosto de 2008

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Fiz este desenho do meu pai, caneta Bic sobre sulfite A4, quinze dias antes dele falecer, ele estava em casa sentado em sua cadeira de trabalho, já bastante sedado, com um de seus queridos quadros, um óleo de Benedito Calixto.

é isso, por fernando stickel [ 11:39 ]
14 de agosto de 2008

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Sonhei com o meu pai.
Havia no meio do mato uma espécie de garagem, um galpão de madeira, e eu precisava decolar com um pequeno avião de dentro deste galpão, cuja porta abria para a floresta e havia em seguida uma pequena clareira. Meu pai estava ali parado, e eu examinava se as asas do avião passariam pela porta e pela clareira.

Acho que foi resultado da reportagem sobre o Antonov 225 que vi ontem na TV…
A envergadura do maior jato do mundo é de cerca de 90 metros…

é isso, por fernando stickel [ 15:01 ]
9 de agosto de 2008

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Erico Stickel, ao lado de sua irmã Elizabeth, madrinha de sua formatura no CPOR.

Em 1944 Erico João Siriuba Stickel, meu pai, servia o Exército na Cavalaria do CPOR em São Paulo, e lá era instrutor do meu tio Ernesto, de quem ficou amigo e desta maneira ficou conhecendo minha mãe Martha, que relata ter se apaixonado imediatamente ao conhecê-lo.

Certa noite Martha, Erico e Ernesto voltaram a pé de uma festa na casa da família Toledo Piza em Higienópolis. Minha mãe usava um vestido verde claro com babados e sapatos de festa. Ao chegar ao Trianon, meu pai que morava logo ali na R. Carlos Comenale, contou que havia sido convocado para servir na Segunda Grande Guerra na Europa.

Minha mãe ficou passada, seus pés doiam da longa caminhada. No dia seguinte meu pai ligou para dar as boas novas, apenas a Infantaria iria à Europa. O namoro vingou, casaram-se em 1946.

é isso, por fernando stickel [ 12:23 ]
2 de agosto de 2008

Deu na Veja:

Segredos do Brasil
Moreira Salles compra acervo com 1.500 imagens raras do país dos séculos XVI ao XIX.

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Foto: Roberto Setton

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Foto: Fernando Stickel

UM HOMEM DISCRETO
Erico Stickel, morto em 2004, foi dono do Abaporu. Era um grande colecionador, mas nem seus filhos sabiam do tesouro que ele reuniu.
O colecionador de arte Erico Stickel, falecido em 2004, era um homem reservado. Saía pouco de casa, não freqüentava vernissages e só exibia as preciosidades de sua coleção a amigos raros. Durante duas décadas, manteve em uma das paredes de sua residência, em São Paulo, o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, hoje avaliado em 10 milhões de dólares e tido como a estrela do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires – MALBA.
Ao longo da vida, Stickel reuniu em casa 1 500 obras de arte, principalmente desenhos, aquarelas e gravuras, que retratam o Brasil desde o século XVI, em cartografia, até o século XIX, em registros do cotidiano. Todo esse acervo ficava num único quarto, isolado até da própria família. Apenas uma pequena parte, mais precisamente 10% dela, foi divulgada no livro Uma Pequena Biblioteca Particular (Imprensa Oficial/Edusp), que o colecionador publicou em 2004.
Ele nem sequer fazia seguro das obras. Por isso, foi uma surpresa para os filhos quando, após sua morte, surgiu uma coleção variada e poderosa, com trabalhos de autores famosos como Johann Moritz Rugendas, Henry Chamberlain e o botânico alemão Carl Friedrich von Martius. É esse material que a família acaba de vender ao Instituto Moreira Salles, a um preço que não é revelado por nenhuma das partes, mas que o mercado estima ser próximo de 1,5 milhão de dólares.
Embora o acervo conte com nomes de peso, nas pesquisas em feiras e leilões de arte Stickel não buscava apenas assinaturas. Valorizava trabalhos que registrassem aspectos da vida brasileira, independentemente do autor. O resultado é um conjunto diversificado e original. A visão que se tem hoje do Brasil no século XIX, antes da invenção da fotografia, é bastante influenciada pelo olhar de franceses, como Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay, cujos trabalhos são mais conhecidos do grande público. Na coleção de Stickel, há também obras de ingleses, italianos, alemães, portugueses, belgas, holandeses, austríacos, irlandeses e russos. A variedade se dá também no espaço. Além do Rio de Janeiro, a capital mais pintada e posteriormente mais fotografada do país, há imagens de Recife, Salvador, Florianópolis, Porto Seguro, Ouro Preto, Mariana, Sorocaba e do interior de Goiás. “Erico Stickel tinha uma capacidade ímpar de prospecção de obras. Não cultuava os valores do mercado, era um intelectual e sabia discernir algo que fosse de fato relevante sob o ponto de vista histórico e cultural. Daí sua importância”, diz a pesquisadora Ana Maria Belluzzo, autora do livro O Brasil dos Viajantes (Editora Objetiva).

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Foto: Roberto Setton

TRÊS MOMENTOS
Paisagem de Ouro Preto, pelo botânico alemão Von Martius em sua expedição pelo interior do Brasil, em 1817; cena da Guerra do Paraguai, feita pelo italiano Edoardo de Martino no campo de batalha; e o mapa de 1552, a peça mais antiga da coleção, com a América do Sul habitada por canibais: preciosidades garimpadas por Stickel ao longo de quatro décadas
A peça mais antiga do acervo é um curioso mapa feito pelo cartógrafo alemão Sebastian Münster, que mostra a América do Sul povoada por canibais. É datado de 1552, ou seja, pertence a um período de escassa iconografia, que se estende pelos 300 anos seguintes, mas do qual o colecionador conseguiu registros importantes – por exemplo, uma gravura de 1668 com navios holandeses no litoral de Recife, feita a partir de desenho de Frans Post. A coleção traz também obras produzidas por pessoas que foram testemunhas privilegiadas da história, como o italiano Edoardo de Martino, que presenciou a Guerra do Paraguai a bordo de um navio brasileiro. Ele deixou como legado diversos registros de batalha – uma espécie de fotojornalismo a lápis – cujos esboços originais são preciosos. Outro tesouro de Stickel são 78 desenhos originais feitos por Von Martius, que percorreu o interior do Brasil entre 1817 e 1820, viajando de barco e em lombo de burro. Ele catalogou 22 700 espécies de planta, publicadas na monumental obra Flora Brasiliensis, e também retratou algumas cidades que encontrou pelo caminho. O livro é ilustrado com litografias feitas por artistas europeus a partir de desenhos originais como os obtidos por Stickel, que são o registro feito pelo próprio Von Martius e acabam sendo mais vivos e ricos em detalhes do que as imagens publicadas no livro.
O caráter instantâneo destaca-se na coleção de Stickel, de uma forma geral. Boa parte das obras são desenhos e aquarelas produzidas em campo. Nesse sentido, o conjunto complementa e se afina com o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, que tem a coleção de Marc Ferrez, composta de 6 000 imagens.
“Os desenhos e pinturas mostram o Brasil até o século XIX. As fotos dão continuidade a esse registro daí em diante”, diz o superintendente executivo do instituto, Antonio Fernando De Franceschi. A imagem principal que ilustra esta reportagem mostra justamente a confluência desses dois formatos. Trata-se de uma litografia colorida com aquarela e lápis de cor, feita a partir de uma imagem do Rio de Janeiro captada por daguerreótipo, provavelmente na metade do século XIX. O autor é o francês Eugène Cicéri, considerado um dos maiores litógrafos do período. Na época, embora já existisse a fotografia, sua transposição para o papel continuava sendo feita em gravura, que permitia a reprodução em tamanho maior e podia ser colorida a mão. É um trabalho que sintetiza o valor dessa coleção impressionante e reveladora de aspectos pouco conhecidos da paisagem, da história e da vida cotidiana do Brasil.
:: Marcelo Bortoloti – Revista Veja

é isso, por fernando stickel [ 19:47 ]
15 de abril de 2008

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Babinski me deu de presente esta foto, onde ele está ao lado do meu pai Erico Stickel em Março 1989, provávelmente em alguma vernissage em São Paulo.

é isso, por fernando stickel [ 9:19 ]
27 de agosto de 2007

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Há quatro anos atrás eu mergulhava com minha câmera dentro de um universo de objetos que coleciono. Os objetos continuam lá no meu estúdio, a câmera à mão, mas tudo mudou.
Me surpreendo com a rapidez e o amplo espectro das mudanças, desde que o trabalho na Fundação Stickel tomou o lugar principal na minha vida.
Pensando bem, o falecimento de meu pai em 2004 também acabou por modificar o rumo da minha vida.

é isso, por fernando stickel [ 8:36 ]
8 de agosto de 2007

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Enquanto isso minha mãe vai trabalhando nos arquivos fotográficos e desenterrando preciosidades.
No alto, da esq. para a dir. minha irmã Sylvia, eu e meu pai em Positano, em baixo idem, com minha mãe em Veneza. Eu devo estar com 14 ou 15 anos, portanto cerca de 1963.
É engraçado como principalmente a foto de cima tem um caráter de “tempo suspenso”.

é isso, por fernando stickel [ 17:19 ]
1 de junho de 2007

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Três anos e meio se passaram, meu pai não está mais aqui, minha mãe não mora mais na casa da R. dos Franceses, e meu filho não é mais criança.

Já estamos no meio do ano.

é o final da tarde

sexta-feira.

é isso, por fernando stickel [ 17:32 ]
3 de abril de 2007


Erico João Siriuba Stickel 3 Abril 1920 – 25 Dezembro 2004

Fosse vivo meu pai completaria hoje 87 anos.
Esta foto é de Julho 2004, cinco meses antes de seu falecimento. Ele estava ótimo até dois meses antes de nos deixar, apesar do câncer de pâncreas diagnosticado um ano antes.
Talvez essa seja uma das poses mais típicas dele, quieto e lendo.
Saudades…

é isso, por fernando stickel [ 10:13 ]
25 de dezembro de 2006


Em 25 Dezembro 2004 faleceu meu pai, Erico João Siriuba Stickel.
Hoje cedo fui buscar minha mãe para visitar o cemitério quando toca meu celular e a Iris, minha ex-mulher me avisa que nesta madrugada faleceu o pai dela, José Di Ciommo.
Meus três filhos passam a ter dois avôs falecidos no dia de Natal. Curioso, no mínimo.
Sinto uma simbologia de renovação nesta sincronicidade, e nada melhor que esta manhã clara, agradável, silenciosa, de céus azuis e brisa leve para celebração dupla.
No cemitério, penso com carinho no meu pai e no meu sogro.

é isso, por fernando stickel [ 11:34 ]
4 de maio de 2006


Lembro-me perfeitamente, quando adolescente, das palavras do meu pai me alertando para os perigos de entrar para o serviço público, a falta de qualificação, estagnação, a perspectiva da “boquinha” e da aposentadoria, o paletó na cadeira.
Ele fazia uma única ressalva, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), símbolo de excelência no poder público, respeitado no mundo inteiro.
Até esse símbolo o lulo -petismo conseguiu destruir, que pena.
Agora o Brasil está de joelhos diante da vanguarda do atraso, Sr. Evo Morales.

é isso, por fernando stickel [ 8:05 ]
12 de setembro de 2005

Sexta-feira à noite, jantar no Cantinetta na praia de Camburi. Depois de meses práticamente sem beber resolvo pedir uma garrafa de um campeão sul-americano: Montes Alpha, Cabernet Sauvignon.
Jantamos maravilhosamente, Sandra tomou no máximo 1 copo, e eu, o restante.
Cheguei em casa bêbado e feliz, fiz para Sandra uma leitura dramática de um trecho de “A mulher que amou demais” por Myrna (Nelson Rodrigues) e caí na cama vestido, de barriga pra cima. Adormeci imediatamente, na madrugada acordei, escovei os dentes e voltei pra cama. Sonhei:

Sonhei que estava em New York com meu pai, e minha calça jeans rasgou na bunda. Coloquei um calção e fiquei me sentindo meio ridículo. Entramos num bar e o dono, depois de me servir um gigantesco dry-martini, e querendo me ajudar a resolver o problema da calça me disse: “Take a look back there”
Descobri um mini-mercado que vendia fraldas descartáveis, essas coisas, mas nada de jeans. Continuei fuçando e descobri um misto de serzideira com floricultura, onde mal se podia andar, de tantas plantas e vasos. O filho da serzideira andava por cima das plantas.
Perguntei em inglês quanto custava serzir a calça e ela me respondeu, fazendo um gesto com a mão de unhas destruídas:
Cem, duzentosch… era carioca… Acordei.

é isso, por fernando stickel [ 10:21 ]
18 de maio de 2005

Sonhei que estava no hall de escadas da casa dos meus pais na R. dos Franceses com o Dudi e o meu pai.
Dudi, de costas para a porta da sala de jantar, olhou para mim, que vestia uma camisa vermelha e disse:
- Puxa, você envelheceu com esta camisa vermelha.
Meu pai, em perfeita saúde, com sua barriguinha de anos atrás, examinava um quadro encostado à parede e pensava em voz alta: Preciso fazer umas observações sobre este pintor…

é isso, por fernando stickel [ 10:09 ]
3 de abril de 2005


Domingo, 3 Abril 2005. Meu pai Erico completaria hoje 85 anos de vida, e por uma conjunção preciosa da vida, às 9 horas da manha estávamos na missa dominical de Rapa Nui, Ilha da Páscoa.
Não sou ligado em nenhuma religião e detesto rituais e obrigações, mas sou uma pessoa razoavelmente espiritualizada. Esta missa de hoje cantada em Rapa Nui, com toda a comunidade da pequena cidade presente, me emocionou como nunca. É como se a missa de sétimo dia do meu pai, que nao houve, tivesse sido realizada hoje, no meio do Oceano Pacífico, no seio de uma comunidade pequena, cheia da famílias e crianças e só alguns turistas, com um padre simpático recebendo a todos na porta da igreja com um forte aperto de mão.
Cantamos com todos, acompanhados por um maravilhoso conjunto de sanfonas e atabaque, o refrão, que se repetia constantemente ao longo da missa:

TE POKI A TAVITA HOSANA HOSANA
TE POKI A TAVITA HOSANA TE’ ATUA

é isso, por fernando stickel [ 18:56 ]
4 de maio de 2004

Domingo, acabo de chegar e vou com meu filho Arthur visitar meus pais. Levo algumas lembranças da viagem para eles, conversamos e em seguida ganho de presente do meu pai o Patek Philippe que foi do meu avô Arthur Stickel, comprado por ele, segundo consta, em 1912. Que lindo presente, obrigado, pai.

é isso, por fernando stickel [ 0:18 ]
28 de março de 2004

Não de esqueçam, amantes das artes, dos desenhos, aquarelas, e gravuras executadas pelos viajantes estrangeiros do século passado (minto, retrasado) em visita à nossa terrinha que retrataram a fauna, flora, o povo e a paisagem do Brasil.
É amanhã!!
Meu pai, Erico Stickel, na véspera de completar 84 anos lança seu livro:
Uma pequena biblioteca particular / Subsídios para o estudo da iconografia no Brasil – Editora Edusp
Livraria Cultura do Conjunto Nacional, segunda-feira 29/3, 19h00 às 22h00.

é isso, por fernando stickel [ 0:46 ]
4 de janeiro de 2004

Meus pais, Martha Diederichsen Stickel, e Erico João Siriuba Stickel.

é isso, por fernando stickel [ 19:28 ]
6 de novembro de 2003

Mais uma de Barcelona.
Ana Maria, Fernanda, Martha e Erico.

é isso, por fernando stickel [ 10:14 ]
aqui no aqui tem coisa encontram-se

coisas, coisas, coisas

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