
Estive ontem pela segunda vez na Passagem Literária (Subterrânea) da Consolação, para acompanhar o projeto Em Obras, e a execução dos desenhos.
Vejo alguns problemas:
1. Não se sabe qual artista fez qual desenho. Como no projeto não está explícita a “realização conjunta” da obra, acho que cada autor deveria identificar seu trabalho. Isto poderia ser feito no piso, discretamente, e sem interferir no trabalho.
2. O único canal de comunicação do projeto é o Twitter. Deveria haver no mínimo um e-mail ou telefone para contato.
3. A “vitrine” onde são realizados/expostos os desenhos não é a coisa mais bem resolvida do mundo, mas este é, aparentemente, um defeito estrutural da Passagem Subterrânea Consolação, e não do projeto.
Por outro lado, os desenhos crescem e aparecem. Continuarei a relatar. Aqui as fotos da minha primeira visita.

Fui visitar a Passagem Literária (Subterrânea) da Consolação, para conhecer “in loco” o projeto Em Obras, descrito aí em baixo.

Eu não passava por ali há décadas, o lugar está ocupado, organizado, limpo, iluminado, não é mais o buraco fedido que servia de banheiro.

O primeiro desenho, de Hélio Bartsch, já está lá na parede, dentro de um aquário que faz parte da galeria.

Encontrei também a artista Anna Turra, que prepara o próximo trabalho a ser exposto lá, de vídeo.

Em Obras – 30 artistas – 60 dias – 2 Março a 30 Abril de 2010
A cada dia do mês de março de 2010 um dos artistas estará na Passagem Subterrânea da Consolação desenhando sobre a parede com lápis grafite. No mês de abril cada um retornará a cada dia para apagar o desenho com borracha.
De Segunda à Sexta das 7h às 22h; Sábados, Domingos e feriados das 10h às 22h
Rua da Consolação, s/ n˚, São Paulo (entre Av. Paulista e Av. Angélica)
Artistas participantes: Alice Freire, Alice Shintani, Aloysio Pavan, Andre Simmank, Beatriz Bittencourt, Beatriz Nogueira, Carola Trimano, Cesar Fujimoto, Daniel Nogueira de Lima, Fabio Quaglio, Flávio Cerqueira, Helen Faganello, Hélio Bartsch, Henrique de França, Jérôme Florent, José Roberto Greb Vazquez, Juan Castro, Juliana Kase, Laerte Ramos, Leopoldo Ponce, Luis Felipe Machado Dib, Marcia de Moraes, Maria Fernanda Filardi Ferreira, Murilo Kammer, Pedro Almeida Farled, Rafael Baravelli, Rafael Ferreira Mourão, Renato Sass, Taís Ribeiro, Yá!
Meu comentário: Eis aí um projeto interessante! Pretendo acompanhá-lo, no mínimo pelo site. Gostei principalmente por ser DESENHO, desenho de verdade, primordial, básico, grafite sobre papel (ou parede). Parecem estar bem organizados, tem tudo para dar certo!
Conheço um ou outro artista pelo nome e nenhum pessoalmente, à exceção do Rafael Baravelli, que nasceu exatamente no mesmo dia do meu filho Antonio, na mesma maternidade.

Uma colagem de 2003.

Ontem encerrou-se no Mosteiro de São Bento a exposição “Arte e Espiritualidade” dos artistas Carlos Eduardo Uchôa (que também é monge no Mosteiro), José Spaniol e Marco Giannotti.
Para minha surpresa haviam muitas, mas muitas mesmo pessoas visitando a exposição, muito interessante, dentro do Mosteiro.
Os artistas fizeram exposição guiada, e ao final houve um concerto de harpa chinesa e canto gregoriano.

Trabalho de José Spaniol, “Era só uma frase” de 1994, parafina e papel.

Em uma das capelas, Sandra anda sobre o chão coberto de algodão, na instalação de Uchôa.

Escultura de Richard Serra “Tilted Arc” instalada no Jacob K. Javits Federal Building em New York, que foi alvo de ação pública e retirada em 1989.
Estou lendo “As Vidas dos Artistas” de Calvin Tomkins, que conta, entre outras, as histórias de Damien Hirst, Julian Schnabel, Richard Serra, James Turrell, Jasper Johns e Jeff Koons.
É reconfortante ler e ao mesmo tempo saber extamente de que obra ou exposição o autor trata, pois conheço muito bem as obras destes artistas, e o texto do livro adiciona “molho” ao meu conhecimento.
Não é todo o dia que isso acontece.

Arthur na exposição de Christian Boltanski no Grand Palais em Paris, Monumenta 2010.

Durante décadas trabalhando em silêncio, desfaz-se o “Grupo dos Amigos de Antonio Lizárraga”.
Foram muitos anos, acho que mais de quinze, durante os quais fiz parte deste grupo de cerca de 90 pessoas ligadas à cultura e às artes plásticas que forneceram suporte financeiro ao artista, vítima de uma trombose em 1983 que o deixou tetraplégico.
Lizárraga (1924-2009) jamais permitiu associar sua pessoa à deficiência, e não aceitou ser conhecido pela mídia erguendo a bandeira da tetraplegia.
Trabalhou auxiliado por assistentes até os últimos dias de vida, faleceu em 15/11/2009.

Bridge by Kenneth Noland (1964)
Morre Kenneth Noland, aos 85 anos, pintor abstrato conhecido pelas cores
Juntamente com Mark Rothko, Morris Louis, Ellsworth Kelly, Frank Stella, e Barnett Newman, entre outros Noland fez parte da “The New York School”, de pintores e escultores dos anos 50 e 60.

foto: Paul Hazelton/RareArt
É estranho mas não é novo.
Uma exposição inaugurada nesta semana em Nova York reúne inusitadas esculturas de poeira realizadas pelo artista britânico Paul Hazelton.

Em 2005 fotografei esta “assemblage” no estúdio do artista Wesley Duke Lee.

Chegando no evento, minha santa ou minha deusa…

Vivian e Sandra, a parte de cima… e a parte de baixo…. na inauguração ontem, com chuva e tudo, no Parque Alfredo Volpi (Bosque do Morumbi) de uma iniciativa muito interessante da minha amiga Vivian:
Um ateliê itinerantre a céu aberto, onde adultos e crianças se expressam por meio de materiais disponíveis a cada edição.

Depois de um século voltei a pegar em um pincel, eu fiz o retrato da Sandra e ela o meu.

Sempre tive curiosidade de saber quem projetou e o que abriga este prédio com fachada minimalista, “à lá” Antonio Dias na Marginal do Pinheiros, na esquina da R. Elisa Pereira de Barros, ao lado do prédio do falido Banco Santos.

Hoje parei, desci, fotografei e perguntei ao guarda que apareceu o que era lá.
- Boa tarde, o que é aí?
- É um banco.
- Que banco?
- Banco Santos.
- Mas o que tem neste prédio?
- Escritórios, da massa falida.
- Ah bom…
- Por que o senhor está fotografando?
- Por puro deleite.

Edemar Cid Ferreira obteve sucesso imenso com a sua Brasil Connects, a Cid Collection, etc…
Não fosse o viés bandido que o propeliu desde o início, de caso pensado, com consultoria americana e suporte do clã Sarney, Edemar teria se dado bem na vida cultural, ou pelo menos sabia se assessorar muito bem.

Rodrigo, à esquerda e um de seus alunos no atelier de sua instituição no bairro do Butantã.
Na semana passada Rodrigo Mendes me visitou na Fundação Stickel, nesta quarta-feira eu o visitei na sua instituição, o Instituto Rodrigo Mendes:
apresentação
O Instituto Rodrigo Mendes é uma organização sem fins lucrativos comprometida com a construção de uma sociedade inclusiva por meio da arte. Além de cursos, oficinas e exposições, desenvolve programas de formação e geração de renda.
missão
Colaborar para a construção de uma sociedade inclusiva por meio da arte.
visão
Ser reconhecida como um centro de referência em arte e educação inclusiva.
Muito interessante o trabalho que realizam, há vários pontos de contato com a minha filosofia, acho que poderemos fazer algo em conjunto no futuro.

Dudi Maia Rosa

Pouco a pouco meu estúdio volta à vida, conduzido pelas hábeis e decididas mãos da Sandra, minha mulher.
Depois de servir como despejo e área de reciclagem de materiais de construção na época da reforma do imóvel que abriga hoje o Programa Mulheres de Talento da Fundação Stickel, agora ele volta às artes, abrigando fotos, desenhos, pinturas, objetos.
Algumas fotos novas estão sendo penduradas nas paredes, mas por enquanto é surpresa…
Em 2010 eu completo seis anos à frente da reconstrução da Fundação Stickel. Neste período minha atividade artística ficou extremamente reduzida, o que não foi exatamente um Biotônico Fontoura para a minha alma artística.
Acharei uma maneira de equilibrar as coisas, estou sentindo falta do fazer artístico.

Ouvi dizer que esta escultura instalada na esquina da Av. Cidade Jardim com Faria Lima era do acervo do pilantra Edemar Cid Ferreira.
Não sei exatamente como foi parar aí, acho que por decisão judicial, enfim, o fato é que ela lá está, iluminada de cor-de-rosa.
Mas por que cor-de-rosa?
Em tempo: Meu amigo Eduardo me corrige, e eu agradeço, não tem nada a ver com o Edemar. Não posso deixar de observar a beleza deste sistema do blog, aberto a comentários, é muito eficiente!
Em tempo2: A Renata e a Daniela me avisam, também através dos comentários, o porque do cor-de-rosa:
Monumentos ficam rosa em campanha de prevenção do câncer de mama

Dudi Maia Rosa expõe na Galeria Millan.
Sete trabalhos executados em fibra de vidro e resina pigmentada, dimensões de 170 x 170cm e 125 x 125cm
Abertura : Quarta-feira14 Outubro das 20às 23h
R. Fradique Coutinho 1360 05416-001 São Paulo
Tel: 3031-6007

Waltercio Caldas – Escultura para todos os materiais não transparentes, mármore e madeira, 143 x 102 cm, base 69 x 200 x 161 cm, 1985
Minha mãe foi e adorou.
Vários amigos já foram e recomendaram.
Eu ainda não fui, mas preciso ir.
Ao Inhotim – Centro de Arte Contemporânea, em Brumadinho, MG
Arte contemporânea, jardins maravilhosos, restaurante excelente, tudo coisa de primeiro mundo.
Seu idealizador, Bernardo Paz, é um personagem digamos assim, polêmico. O dinheiro investido no complexo, U$240 milhões tem origem… polêmica.
Tudo somado, é melhor ir logo.
Leia aqui o artigo de Jotabê Medeiros: “O maior mecenas da arte brasileira”
Quando criança eu tinha aulas de música no Conservatório Pro Arte, na R. Sergipe em Higienópolis.
No fundo do casarão havia um salão onde os alunos se apresentavam em audições familiares, e eventualmente haviam exposições.
Certa feita, houve uma exposição de pinturas a óleo, abstratas, com grossíssimas camadas de tinta, que escorriam…
Aí eu comentei com alguém:
- Ah!… mas isso aí eu também faço!
O autor das pinturas, que estava por ali, e que eu evidentemente não conhecia, ouviu o meu comentário, pegou um lápis, me entregou e disse:
- Então faça!
Eu me atrapalhei todo, tentei argumentar que era com tinta, não com lápis, e finalmente me recolhi à minha ignorância…
Muitos anos depois, no meu curso de desenho de observação, eu usei este “- Então faça!” inúmeras vezes.

Fundação Stickel convida para exposição e lançamento do livro:
LUIZ PAULO BARAVELLI – COMENTA SEU TRABALHO
Terça-feira 6 de outubro às 19hs
Galeria Sergio Caribé
Exposição 7 a 20 Outubro 2009
R. João Lourenço 79 – Vila Nova Conceição
04508-030 São Paulo SP tel 11 3842 5135
RSVP pelo e-mail: viviane.oliveira@br.bnpparibas.com ou tel 11 3841 3267
Estacionamento no local com manobrista
Realização: Editora J.J. Carol
Patrocínio: Fundação Stickel
Apoio: Banco BNP Paribas Brasil
Galeria Sergio Caribé
PS de Fernando Stickel: Neste dia 6/10/09 entro na versão 6.1…

Muito bacana este graffiti do “The Spirit”, feito pelo Julio Barreto em uma parede lateral da Mercearia São Roque.

O fotógrafo Arnaldo Pappalardo na aula que deu hoje de manhã no Programa Mulheres de Talento da Fundação Stickel.

Abordandoo tema dos auto-retratos, ele falou do pintor holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) e projetou imagens de vários de seus auto-retratos.
Em seguida foram projetadas e comentadas as fotos que as alunas fizeram, com o tema do auto-retrato.
O curso iniciou-se sete semanas atrás com 15 moças, que agora reduziram-se a seis, por inúmeras razões.

As imagens de auto-retratos da artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) foram também projetadas.

Finalmente foram analisados os auto-retratos da artista americana Cindy Sherman (1954), que cria, a partir do próprio corpo, uma infinidade de “personas’ completamente diferentes uma da outra.

No Salão de Arte da Hebraica que abriu ontem, encontrei esta pérola da década de cinquenta de Milton Dacosta (1915-1988)
A pintura é pequena, tem cerca de 15 x 20 cm, mas é extremamente poderosa, lindíssima!
Aos interessados, a galeria pede R$400.000 pela jóia.

Dois pintores, quase da mesma idade, duas pinturas, quase do mesmo tamanho, feitas com 7 anos de diferença…
à esquerda,
Mark Rothko (1903-1970)
Black on Maroon – 1959
Óleo sobre tela,
267 x 229 cm
© 1998 Kate Rothko Prizel & Christopher Rothko ARS, NY and DACS, London
à direita,
Barnett Newman (1905-1970)
Adam – 1951-2
Óleo sobre tela,
243 x 203 cm
Tate Modern

Obra da artista francesa Laura Lamiel, feita com sabões, exposta no MAC-USP Ibirapuera, na exposição Arte Frágil, Resistências.
No sábado fui andar no Ibirapuera, que estava LOTADO de gente, subi as rampas do MAC, e visitei a exposição, absolutamente VAZIA.
Interessante isso, pois o acesso ao MAC é gratuito, ele está ali no prédio da Bienal, e ninguém vai.
Será preguiça de subir as rampas?
Falta de informação?
Falta de interesse?
Falta de marketing?
Tudo isso junto?

Marcel Duchamp, Fountain e Kasimir Malevich, Black Square and Red Square.
As duas obras são de 1917, 92 anos atrás.

Quadrado Turqueza, 2008, óleo e moldura acrílica e madeira, 100 x 100 cm
Bonita a exposição de Renata Tassinari no Estúdio Buck, na R. Lopes Amaral , 123 Vila Olímpia.
O pensamento abstracionista nas artes plásticas, e no trabalho da Renata, acaba por navegar inevitavelmente por searas já trilhadas, por exemplo por Kazimir Malevich (1878-1935), Paul Klee (1879-1940), Barnett Newman (1905-1970), Keneth Noland (1924- ), Ellsworth Kelly (1923- ), Cassio Michalany (1949- ), os suprematistas e os concretos.

Da exposição de Fernando Vicente.
Dica do Aly.

O projeto e o resultado final.

Meu olho é a minha melhor ferramenta, com a ajuda de um metro, uma escala triangular e uma folha de papel resolvo um monte de problemas.
(os mais complexos deixo para a minha mulher Sandra resolver, ela sabe mais que eu…)

O artista em foto de minha autoria, Julho 2004.
Seminário sobre Arte Contemporânea com Carlos Fajardo, artista plástico e Professor Doutor pela USP
A partir de Agosto de 2009, às terças-feiras às 10:30h
Av. Heitor Penteado 220 Studio 17, São Paulo
Dez vagas disponíveis, informações e inscrição nos telefones 11 3081 8603 e 11 9941 4708 diretamente com o artista ou no e-mail cursosfajardo@uol.com.br
O curso tem por objetivo discutir as transformações que ocorreram nas artes visuais à partir dos anos 1960, dos quais o artista é testemunha e agente, e que envolvem novas relações temporais e espaciais nas artes plásticas, promovidas particularmente pelas instalações, performances, vídeo-arte e fotografia.
O seminário será desenvolvido com leituras e discussões de textos geradores das mudanças que os discursos de representação conheceram durante o século XX.
Serão discutidos pensadores como Walter Benjamin, Maurice Merleau-Ponty, Arthur C. Danto, Yve-Alain Bois ou Benjamin H.D. Buchloh e artistas como Robert Morris, Helio Oiticica, Andy Warhol, Gerhard Richter e Donald Judd.

Sobre a mesa do estúdio, o recomeço.

O estúdio da R. Nova Cidade a pleno vapor em 2003, no meu curso de desenho de observação, as mesas encomendei ao marceneiro para a realização da 1ª Oficina de Design de Automóvel, em 1988. Continuam firmes e fortes prestando bons serviços.

Não perca a exposição de Sophie Calle “Cuide de você” no SESC Pompéia.
Conheci a artista francesa Sophie Calle em New York em 1991.
Eu e minha ex-mulher Jade ganhamos de presente de casamento do meu falecido amigo Jay Chiat a estadia em um fabuloso apartamento da rua 19 East, que estava vazio e que ele havia colocado à nossa disposição. Lá pelas tantas o Jay ligou e perguntou se nós poderíamos dividir o Ap. com uma amiga dele, que era a Sophie.
No problem, ela chegou e se instalou, muito discreta e estranha. Pouco a pouco entramos em contato mais íntimo, e assim se passaram umas duas semanas de convivência, pudemos conhecemos melhor seu fascinante trabalho.
O aspecto mais curioso de sua pessoa eram seus perfumes (excessivamente exóticos…) suas jóias, feitas de cabelos de pessoas mortas, eram tramas, bordados, fechados em pequenos ostensórios de vidro, que ela usava como broches ou anéis.
Outro aspecto interessante foi sua agenda eletrônica, que eu não conhecia, ela me explicou o funcionamento, me encantei e saí imediatamente para comprar, foi o início da minha vida digital.
Finalmente houve uma vernissage dela, e após um jantar onde conheci também o famoso marchand Leo Castelli.
Em uma década tudo pode mudar. (em vinte minutos também…)
Por volta de 1980-81, tive claramente uma visão e um desejo: Quero ser artista plástico profissional.
Logo em seguida, colocando o desejo em prática, mudei toda a minha vida.
Separei da Iris, com quem estava casado, mudei de casa e saí da sociedade que tinha com Lelé Chamma na und, tudo no mesmo ano.

O período que se seguiu até 1989 foi brilhante, exigente, cheio de desafios e novidades, fiz quatro exposições individuais, participei de uma dezena de coletivas, ganhei prêmios e morei em New York.
Na volta da viagem a NYC montei curso de desenho de observação no meu estúdio na Vila Olímpia, que acabou por ser extremamente bem sucedido, em 1989 cheguei a ter 60 alunos, meu sustento não oferecia maiores problemas.
Em Março 1990 o baque do Plano Collor fez com que eu recomeçasse as aulas com apenas dois alunos, o ano foi terrível, as artes em geral sofreram mais que a média, e o início de 1991 não trazia boas perspectivas.
Foi quando minhas irmãs vieram conversar comigo dizendo que minha mãe estava muito preocupada, pois o meu pai Erico estava manifestando a ela preocupações com os negócios, coisa que ele, homem da velha guarda, nunca havia feito antes. De fato, o Plano Collor havia virado de cabeça para baixo coisas “imutáveis”, quebrou equilíbrios de décadas, e foi isto que tirou o sono do meu pai.
Novamente casado eu precisava de um salário, e meu pai de ajuda, acertamos um pro-labore para que eu trabalhasse na organização dos negócios da família, básicamente a solução de encrencas com imóveis, desde inquilinos inadimplentes, multas diversas, muros caídos, calçadas destruidas a imóveis deteriorados e desocupados.

A relação de trabalho com meu pai não foi fácil, mesmo porque a minha entrada foi mais por pressão da família do que por decisão dele, engoli muitos sapos, batemos boca, mas uma das piores crises veio quando, tomado de furor organizatório, aproveitei um período em que meu pai estava fora do escritório, viajando, e fiz um levantamento de todas as suas pendências, anotações que ele tinha o hábito de fazer em cadernos em branco, fichários, folhas soltas, etc… e a pilha destes papéis dava quase um metro de altura!
