
Foto: Revista Veja
AI QUE VERGONHA!
AI QUE POBREZA!
AI QUE BURRICE!
AI QUE IGNORÂNCIA!
Este homem acha dispensável aos diplomatas brasileiros falarem inglês.
Bom, mas também com este figurino jeca-tatu tá tudo explicado.
O sapato da direita é de outro jeca, o Itamar, que pelo menos combina terno preto com sapato preto.
Vejam o que escreve a Dora Kramer sobre a lamentável decisão:
A decisão de relegar o domínio de idiomas na diplomacia ao terreno dos assuntos menores - há oito anos foi o francês, agora é o inglês que deixa de ser prova eliminatória para o ingresso no Instituto Rio Branco - não é, como quer fazer supor o chanceler Celso Amorim, um investimento na “democratização” do
acesso à carreira diplomática.
Configura-se, antes de qualquer coisa, um elogio à desqualificação do conhecimento.
Mais grave: vai de encontro à regra geral segundo a qual o que nos diferencia dos animais é o atributo do raciocínio e a capacidade de nos comunicarmos com nossos semelhantes através da linguagem.
Não sobram, portanto, muitas conclusões a respeito da inovação anunciada. Trata-se daquele mesmo tipo de populismo pueril que fez o governo brasileiro apoiar sentença judicial obrigando a identificação de cidadãos americanos na alfândega brasileira e antes havia incentivado o presidente da República a cassar o visto de permanência do correspondente Larry Rother do New York Times por presumida ofensa à honra nacional.
Fala-se que o pretendido na realidade pelo chanceler é tornar mais fáceis as provas a fim de permitir o aumento do número de diplomatas a serviço do Itamaraty. Ainda que seja esta a razão, já por si inexplicável, mais injustificado ainda é fazê-lo dessa forma, através da dispensa do inglês.
Ocorre que para a mentalidade vigente no alto comando da diplomacia e festejada no Palácio do Planalto, esse tipo de “brasileirismo” tem charme e dá a sensação aos seus áulicos de serem artífices de um contraponto à política econômica onde pirotecnias dessa ordem são proibidas, pois levariam à derrocada o próprio governo.
Brinca-se, então, de soberania com bobagem. Como se fez nos casos da identificação nos aeroportos e da tentativa de expulsão do jornalista. Naqueles episódios, porém, os atos limitaram-se ao campo do burlesco. Agora, a coisa soa mais séria porque entra no terreno da educação, com o governo jogando no time adversário.
Apostando na ausência do saber como forma de fazer sabe-se lá o quê, dada a carência de ganho real e objetivo em tal decisão, o governo brasileiro apenas lustra sua notoriedade no que tange à falta de rumo.
Senão, diga o leitor cujos sacrifícios para municiar educacionalmente os filhos não são poucos, a que objetivo, do ponto de vista do desenvolvimento do País e do bem-estar dos cidadãos, poderia atender a decisão de dispensar diplomatas brasileiros de falar a língua que unifica a comunicação mundial nos dias de hoje? A nenhum, evidentemente.
O único efeito será o de piorar a qualificação dos profissionais e não há nada no mundo que possa explicar o empenho de um governo no retrocesso do conhecimento da sociedade em geral e dos servidores públicos em particular.
Diz o ministro das Relações Exteriores que a exigência do inglês é elitista e limita o exercício da diplomacia aos filhos de famílias mais abastadas.
Com todo o respeito que a argumentação não merece, o embaixador Celso Amorim parece acometido de uma certa deformação dos sentidos.
Primeiro, por negar a evidência até simplória do inglês como instrumento básico de trabalho nas relações internacionais; segundo, por pretender que o Brasil se insurja contra uma realidade corriqueira quando o governo já se submeteu a consensos muito mais controvertidos, como os da economia, por exemplo; terceiro, por acreditar que é baixando o nível da exigência que se promove a inclusão. Tal distorção levada ao extremo autorizaria uma revisão geral dos requisitos para o exercício das diversas carreiras e, assim, facilitar a elevação do nível educacional e profissional do brasileiro.
Imaginemos tal princípio aplicado aos cursos de medicina, muito mais restritivos sob o aspecto da necessidade do preparo e formação do candidato do que o concurso para o Itamaraty, e teremos na comparação uma boa idéia da ausência de tino que pauta essa diplomacia de - para usar o símbolo contemporâneo de populismo rastaqüera - R$ 1.

Comente aqui