22 de agosto de 2010

Na minha adolesência eu tinha dois amigos omnipresentes, o Klaus Foditsch (já falecido) e o Mauricio Oliveira (mora atualmente nos E.U.A.)
Ambos estimulavam, cada um à sua maneira, a minha paixão pelas máquinas e automóveis.
O Klaus porque tinha em casa a oficina do pai dele, Seu Simon, lá nós construimos carrinhos de rolimã, um kart com motor de serra, estilingues, mexíamos nas bicicletas, motocicletas e assim por diante. O tio do Klaus tinha uma perua Dodge, e ele deixava a gente dar umas bandolas pelo bairro no carro, depois de lavá-lo nos sábados à tarde.
O Mauricio tinha dois irmãos mais velhos, e havia carros interessantes na casa, MG TD e Austin Healey. Tanto fiz que consegui guiar os dois, pelas ruas de terra do Alto de Pinheiros, muito antes de completar 18 anos.
Certa feita, por volta de 1964, os quatro irmãos Oliveira, Murilo, Mauricio, Marcelo e Marcos e eu fomos de DKW- Vemag Vemaguet para o Rio de Janeiro, lá chegando eu dei a idéia de pedir hospedagem na casa de um casal amigo dos meus pais, Sonia e Jorge, cariocas chiquetérrimos que moravam na última casa de frente para o mar em Ipanema.
Toquei a campainha, na maior cara de pau, e a Sonia muito educada e simpática enfiou os cinco moleques para dentro de casa sem chiar. Impensável nos dias de hoje…
é isso, por fernando stickel [ 16:12 ]
8 de abril de 2010

Engraçado como recentemente tem aumentado os comentários sobre o meu post onde conto que entreguei a Winchester 44 que era do meu avô na Campanha do Desarmamento em 2004.
A respeito de armas, tenho duas histórias trágicas da minha adolescência, a primeira é sobre o suicídio do meu amigo Luis Antonio da Silva Telles.
Ele era mais velho que nós, colegas do Colégio Visconde de Porto Seguro, que tínhamos 15 anos, ele havia repetido várias vezes e estava na mesma classe, apesar de já ter dezoito anos, carteira de motorista e carro.
Certas férias de Julho, provavelmente em 1963, estávamos na quarta-série do ginásio e fui para Campos do Jordão, como de costume, e ao voltar a São Paulo liguei para o meu amigo, o diálogo que se seguiu, acho que foi com a irmã dele, foi mais ou menos assim:
-Alô! O Luis Antonio está?
-Não…
-Ele saiu?
-Não… Você não soube?…
-O que?
-Ele sofreu um acidente…
-O que?
-Ele morreu.
Chocado, não consegui falar mais nada, e desliguei. Mais tarde, comentando com outros amigos e na escola eu soube que ele havia se suicidado com um tiro, de uma pistola Luger que ele já havia mostrado para nós, estava deprimido com o atraso na escola, pelo menos esta foi a versão que circulou.
A segunda história ocorreu na mesma época, perto da casa do meu amigo Klaus Foditsch, provavelmente na R. Visconde de Castro, na casa de conhecidos de bairro. Houve uma tentativa de suicídio, e nós fomos correndo à casa desta pessoa, chegamos logo depois do ocorrido e o ferido já havia sido removido, entramos na casa e pudemos ver a cápsula deflagrada e o sangue. Imagens indeléveis.
é isso, por fernando stickel [ 11:55 ]
5 de janeiro de 2010

As tragédias das chuvas me afetaram, atingindo pessoas próximas:
1. Meu falecido amigo de infância e adolescência Klaus Foditsch tinha uma irmã, Erica, casada com o Manolo (Manuel Morón Robles), com os quais convivi muito nos anos 50 e 60.
Pois é, quis o destino que aquela familia dizimada no sitio em Cunha, SP, fosse composta pelo Manolo, Erica, suas filhas Ingrid, solteira e Alice, casada com dois filhos.
Todos os seis vítimas fatais, exceto a Alice, única sobrevivente, que passa bem no Hospital 9 de Julho aqui em SP.
2. Poucos dias atrás faleceu em acidente automobilístico (com chuva) Carlos Klinkert Maluhy, irmão do meu amigo Paulo Klinkert Maluhy, cuja missa de 7º dia será celebrada hoje.
O Manolo e a Erica eram mais velhos do que eu, deveriam estar com setenta ou mais anos, e o Carlos com 62.
É sempre um choque receber este tipo de notícia, mesmo que você não conviva com os desaparecidos.
Falei com o Paulo pelo telefone, e deixei um recado no celular do João Rodolpho, irmão sobrevivente do Klaus e da Erica.
Sinto que é importante dar uma palavra nestes momentos, quando meu pai faleceu os telefonemas das pessoas mais distantes eram importantes e reconfortantes, inclusive pelas memórias despertadas.
Que os falecidos façam boa viagem.
Obrigado ao Tácito, leitor do blog e amigo comum dos Foditsch por ter me avisado.
é isso, por fernando stickel [ 10:00 ]
20 de novembro de 2009

Na minha incansável missão de adolescente em busca de dois nirvanas, as máquinas e as mulheres (muito mais bem sucedido nas máquinas…), as raras oportunidades de “pilotar” estavam sempre conectadas às férias ou aos fins de semana, quando os pais, tios ou amigos, após muita insistência da minha parte liberavam as “máquinas” para teste.
A simples posse da chave do carro, que eu pegava e saia correndo antes que o simpático(a) se arrependesse já provocava arrepios de antecipação, e eu me lançava à aventura entre nervoso e excitado, quase sempre acompanhado do meu amigo Klaus Foditsch.
No “Sítio das Jabuticabeiras” que a família tinha em Interlagos, pilotei o Renault Gordini branco da minha tia Joaninha incontáveis quilômetros na estradinha de terra que ligava o nosso sítio com o vizinho “Sítio das Figueiras”, hoje a sede campestre do SESC.
Até hoje a Joaninha (84) continua minha amigona…

Toda esta área era de sítios e pequenas fazendas, meu pai chegou a ter algumas vacas leiteiras da raça suiça, e se fazia manteiga e queijo lá mesmo, eu adorava mexer nas máquinas!
A “pista” de dois a três km era entre o portão dos sítios- 1, a nossa casa – 2 e a casa do meu tio Ernesto – 3
Quando a família vendeu os sítios, nos anos setenta, meus pais Erico e Martha Stickel doaram para a organização Aldeias Infantis SOS Brasil o terreno marcado em verde, participando ativamente da implantação do projeto, inaugurado em 1980.
é isso, por fernando stickel [ 15:41 ]
5 de setembro de 2009
Sonhei com meu falecido amigo de infância Klaus Fridrich Foditsch.
Eu descia a rua Barão de Aguiar, onde ele morava, sentado no ar, com muita calma, muita paz, uma sensação deliciosa.
Era como se houvesse uma confortável poltrona invisível me sustentando a cerca de 80 cm do chão, e eu deslizava muito devagar, olhando com curiosidade para aquela rua de casas simples que foi palco de tantas brincadeiras com bicicletas, carrinhos de rolemã, motos, carros.
Lá no fim da rua vi o Klaus, ele também me viu e veio ao meu encontro, ao lado dele tinha um garotinho que brincava com um cachorrinho do tipo “escovão”.
Começamos a conversar, e apareceu a Erika, irmã dele, muito cansada e encurvada.
Entramos na casa, nos encostamos perto de uma cristaleira, continuamos a conversar e ele me confidenciou no ouvido:
- Entramos no quarto do meu avô e abrimos todas aquelas caixas de coisas que ele comprava e não mostrava…
- Quero ver! O que são, ferramentas?
Aí eu fiquei louco para ver estas coisas, mas o Klaus começou a enrolar, haviam outras pessoas por ali. Na sala haviam várias caixas de papelão empilhadas, cheias de velharias, e duas pranchas de passar roupa.
1. (Acordei com o sonho tão vivo na minha cabeça, que sentei imediatamento para escrevê-lo, é muito raro para mim sonhar assim em São Paulo)
2. (O cérebro humano é fascinante (ou seria a alma…) como é que surgem estas memórias tão claras, depois de décadas, como funciona isso?)
é isso, por fernando stickel [ 7:39 ]
17 de junho de 2008
Na minha adolescência eu era absoluta e totalmente tarado por máquinas e velocidade.
No início era a bicicleta e os carrinhos de rolemã, andava quase sempre com o meu já falecido amigo Klaus Foditsch, depois guiar motos e carros, o que houvesse motor para acelerar e correr.
Aos dezesseis, de tanto insistir e encher os meus pais, acabei ganhando uma Leonette: (duas marchas, na mão)

e aos dezessete, uma Mondial, (quatro marchas, no pé) ambas de 50cc.

No início de 1967 tirei a carteira de motorista e meu pai me obrigou a vender a Mondial. Ele não sabia que eu havia comprado escondido, junto com o Klaus, uma motocicleta Royal Enfield 350 Bullet 1955.

O Klaus e eu desmontamos a Royal Enfield inteirinha, queríamos deixá-la “zero km”, mandei cromar o tanque de gasolina e a reforma ficou por aí…
Anos depois vendi-a aos pedaços, mas estava prestes a comprar, em 1971 uma BMW R60 1969, a última das clássicas.

é isso, por fernando stickel [ 9:20 ]
18 de julho de 2007

Na minha infância e adolescência brinquei muito no Aeroporto de Congonhas.
Meu amigo Klaus Foditsch (já falecido) morava na Rua Barão de Aguiar, a poucas centenas de metros da cabeceira da pista, e nós vivíamos por ali, andando de carrinho de rolimâ, de bicicleta, fuçando no aeroporto, que era aberto por todos os lados.
O Klaus conhecia todas as aberturas, havia uma galeria de águas pluviais com aqueles canos imensos de concreto, pela qual entrávamos, e de vez em quando subia um cano vertical com escadinha, que dava no meio da pista!
Certa feita caiu um avião pequeno na cabeceira da pista (no xadrez), o Klaus escutou o barulho, correu até lá, foi um dos primeiros a chegar, viu uma perna com bota saindo dos escombros, puxou-a e ficou com um osso na mão!!!
Desde aquela época, anos sessenta, que os aviões insistem em cair por ali. Em 2001 caiu um bimotor na Rua Barão de Aguiar, em cima da casa do Dr. Emilio Athie, avô do André, meu enteado. Ele se feriu gravemente e o piloto do avião feleceu.
é isso, por fernando stickel [ 18:37 ]
17 de novembro de 2004

Por volta de 1965, eu e meu amigo Klaus Foditsch descobrimos no porão da casa dos meus pais algumas armas abandonadas, entre elas duas carabinas calibre 44, uma Winchester e uma Marlin herança do meu avô Arthur Stickel, que as usava para caçar nos anos 20.
Como o Hans, irmão do Klaus estava servindo o exército, na PE, ele nos arranjou algumas balas. Fomos ao fundo do quintal da minha casa na R. dos Franceses e atiramos inúmeras vezes, num final de tarde. Os tiros ecoavam pelo vale, nos divertimos a valer.
Quando meu pai chegou e soube do acontecido, a bronca veio do mesmo tamanho do ecoar dos tiros, afinal estávamos em pleno regime militar!
Após este evento, a Marlin acabou ficando com o Klaus e a Winchester comigo. Sempre admirei a mecânica perfeita desta arma, seu peso e toque, mas nunca tive a menor vontade de atirar com ela novamente. Ela esteve nestas últimas décadas enferrujada e enrolada em um pano, sempre enfiada atrás de armários, sem munição.
Com a campanha do desarmamento chegou hoje o dia de entregá-la para destruição.
Relutei um pouco em tomar esta decisão por conta da carga afetiva, meu avô sempre foi uma figura muito importante para mim, mas no final prevaleceu a razão e o desejo de fazer um gesto simbólico pela PAZ.
Quem tiver arma em casa faça o mesmo, não dói, é simples, a Polícia Federal não te pergunta nada e você ainda recebe uma graninha, no meu caso R$ 200,00.
Não é apenas uma arma que sai de circulação em São Paulo, é uma a menos no planeta.
Pense sobre isso.
é isso, por fernando stickel [ 17:55 ]
3 de junho de 2004

Esse cara aí na foto do Joaquim Marques foi meu amigo íntimo, sentávamos juntos nas carteiras duplas do primeiro ano primário no Colégio Visconde de Porto Seguro, na Praça Roosevelt.
Andamos de carrinho de rolemâ que ele construia ajudado pelo Seu Simon, pai dele, e pelo Hans (O Belo) irmão dele.
Destruimos bicicletas e tocamos punheta juntos no meio do mato. Roubamos o carro dos pais e pescamos juntos com meu avô Arthur Stickel na Ilha da Moela no Guarujá.
Construimos kart e andamos de moto, fizemos tudo que dois amigos adolescentes podem fazer juntos, inclusive traçar a primeira puta, eu no banco da frente e ele no banco de trás da perua DKW-Vemag Vemaguet de um também já falecido colega, Luis Antonio da Silva Telles. O Klaus morreu muito cedo, fruto de uma vida muito intensa, com muito sucesso e pouca sabedoria.
Saudades do Klaus Fridrich Foditsch.
é isso, por fernando stickel [ 19:09 ]
15 de setembro de 2003

Quarta-série do ginásio, 1963. Estou bem na frente, de óculos, ao lado do meu falecido amigo Klaus Fridrich Foditsch.
COLÉGIO VISCONDE DE PORTO SEGURO – 125 ANOS
O Porto Seguro, onde estudei, está fazendo aniversário e vai comemorar com uma mega festa no estádio do Morumbi no dia 20.
Ex-alunos estão sendo convidados a se cadastrar no site do colégio, já tentei duas vezes sem sucesso, tudo muito confuso.
Os convites para a festa podem apenas ser retirados no colégio, em troca de 1 kg de alimentos não perecíveis.
Meu pai foi presidente por 10 anos da Fundação Porto Seguro, que administra o colégio, e não foi convidado.
Tudo em relação a esta festa, inclusive um certo caráter de “maior do mundo” parece estar sendo feito no sistema “brasileiro”, a lendária eficiência germânica deve ter sido perdida pelo meio do caminho nestes longos 125 anos.
O lado bom de tudo isso é a crescente troca de e-mails entre meus colegas cinquentões, reestabelecendo contatos, examinando fotos, identificando os nomes, e as memórias começam a voltar.
Minha turma original de primário e ginásio formou-se no colegial em 1966. Após repetir o primeiro científico fui colega por um ano da turma que se formou em 1967, repeti novamente de ano e me formei no Colégio Santa Cruz em 1968, acumulando no terceiro colegial o Cursinho Universitário, e entrando na FAUUSP em 1969.
é isso, por fernando stickel [ 15:55 ]